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quinta-feira, 8 de março de 2012

Aguenta coração




Eu sou daquelas pessoas com poucos amigos.
Honestidade e escancaramento de corações são obrigatórios para que isso role.
Eu tive amigos assim no passado, e com certeza, tenho no presente.
No futuro, eu vou ver ainda...

No meu passado, eu tive um amigo que fiz, apesar de minha timidez (e da dele). Nossa ligação era forte, e foi feita por carta.
Naquela época não havia internet, não havia celulares, não havia twitter.
Nossa relação se deu por papéis que viajavam em aviões, eram transportados de agência dos correios á outra por pequenos caminhões, e entregue em nossas casas por nosso amigo carteiro. Que, aliás, foi mesmo nosso amigo durante anos. Saber o nome, a vida, conhecer a família do carteiro..nossa..imaginar isso hoje em dia fica bem mais difícil.

Bom, nós nos correspondemos por muito tempo.
Meu coração foi muito forte durante estes anos de trocas de cartas. Esperar por ela era uma loucura. E depois que a carta se ia para seu destinatário, meu coração pulava de ansiedade por saber que ele receberia. O que responderia?

Muita coisa eu coloquei naquelas linhas que não foram lidas.
Muita coisa eu esperei daquelas linhas que não aconteceram.
E o tempo apagou o rastro.

(?)
Ainda sinto a força daquele coração bater.
Ainda sinto saudades, como se esperasse pela carta, que nunca chegou.
Ufa!!!
Aguenta coração..

quinta-feira, 1 de março de 2012

Amigos

Tenho poucos amigos.
Não porque eu seja uma pessoa terrível de se ter por perto.
Não porque eu seja antipática, ou tenha defeitos fortes que impedem pessoas de se chegarem mais intimamente.
Sera que tenho poucos amigos porque não consigo viver intensamente com todos?
Será que meu jeito de ser é mais reservado? Escondido quase??

Amigo é algo muito intenso, muito profundo, para se ter muitos por ai. Não dá tempo para mergulhar de cabeça em todas as águas...
Portanto, os amigos são aqueles que conseguem despertar em mim esta "profundidade de águas" que não vemos o fundo, mas que sabemos, guardam criaturas incríveis, locais nunca antes vistos por nenhum olho humano.
E não sou eu, em absoluto, quem mexe os pauzinhos, dizendo "este vai ser meu amigo", "aquele não vai". "Com este posso ser amiga íntima", "com aquele nem pensar".
Não é assim que funciona a vida. Os amigos, assim como os amores, são reconhecidos pelos olhos, que se "grudam" de forma diferente.

Se tenta não pensar, pensa.
Se lembra, não esquece.
Se esquece, logo se lembra.
Aí começa o diálogo entre duas almas.
Tem Amizade que "nasce" e que parece que não era bebê quando nasceu.. Já nasceu antigo, de outras lembranças, que parecem vão ser lembradas quando se fixa o olhar firme nos olhos do amigo. "De onde mesmo que eu já conheço você?".
Tem amizade que dura anos a fio, rendendo cartas, conversas, risos e choros. A intimidade chega a ser maior do que a que temos com nossos companheiros de jornada, de cama, mesa e banho, sabe?
E tem aquelas que se vê pouco, mas que já está fincada, enraizada no coração, só pelas almas, que se conversam no silêncio, na troca de olhares...em poucas palavras.
Tem amizade que muda, que vai crescendo e quando se percebe, esta maior do que amizade jamais foi. É mais do que amigo, embora mais do que amigo seja uma condição que não pode faltar quando se ama alguém de forma especial. Amizade que muda sem deixar de ser amizade.
Tem amizade que acaba. De intenso que foi queimou e apagou. Deixou o rastro do brilho. A lembrança da Luz.
Tem amizade que acaba. De intenso que foi queimou e apagou. Deixou um rastro de dor, de coisas que não foram bem ditas, nem por palavras, nem por olhar.

Esse diálogo entre amigos vai longe, de qualquer forma que se apresente.

Se temos várias vidas, então a explicação vem fácil: a única coisa que trazemos quando voltamos á vida na carne é o escrínio do coração, já com algumas jóias guardadas como tesouros que são.
Viemos com o baú no peito já com amigos dentro dele.

E, pelo mesmo motivo de termos várias vidas, vamos levar deste aqui as jóias adquiridas e aquelas que trouxemos, mais lapidadas ou não, conforme nossas escolhas.

Escolhas de palavras, de atitudes, de gestos, de vida.
Com nossas escolhas, dilapidamos ou lapidamos nossas joias.
Com nossas escolhas, garantimos nosso futuro.

O que é amigo para você?

sexta-feira, 24 de fevereiro de 2012

Miedo





Miedo - Lenine




Tienen miedo del amor y no saber amar
Tienem miedo de la sombra y miedo de la luz
Tienen miedo de pedir y miedo de callar
Miedo que dá miedo del miedo que dá
Tienen miedo de subir y miedo de bajar
Tienen miedo de la noche y miedo del azul


Tienen miedo de escupir y miedo de aguantar
Miedo que dá miedo del miedo que dá


El miedo es una sombra que el temor no esquiva
El miedo es una trampa que atrapó al amor
El miedo es la palanca que apagó la vida
El miedo es una grieta que agrandó el dolor


Tenho medo de gente e de solidão
Tenho medo da vida e medo de morrer
Tenho medo de ficar e medo de escapulir


Medo que dá medo do medo que dá


Tenho medo de acender e medo de apagar
Tenho medo de esperar e medo de partir
Tenho medo de correr e medo de cair


Medo que dá medo do medo que dá


O medo é uma linha que separa o mundo
O medo é uma casa aonde ninguém vai
O medo é como um laço que se aperta em nós
O medo é uma força que não me deixa andar
Tienen miedo de reir y miedo de llorar
Tienen miedo de encontrarse y miedo de no ser
Tiene miedo de decir y miedo de escuchar
Miedo que dá miedo do miedo que dá


Tenho medo de parar e medo de avançar
Tenho medo de amarrar e medo de quebrar
Tenho medo de exigir e medo de deixar


Medo que dá medo do medo que dá


O medo é uma sombra que o temor não desvia
o medo é uma armadilha que pegou o amor
o medo é uma chave que apagou a vida
O medo é uma brecha que fez crescer a dor


el miedo es una raya que separa el mundo
el miedo es una casa donde nadie vá
el miedo es como lazo que se apierta en nudo
el miedo es una fuerza que me impide andar


medo de olhar no fundo
medo de dobrar a esquina
medo de ficar no escuro
de passar em branco, de cruzar a linha
medo de se achar sozinho
de perder a rédea, a pose, o prumo
medo de pedir arrego
medo de vagar sem rumo
medo estampado na cara ou escondido no porão


o medo circulando nas veias, ou em rota de colisão
o medo é de Deus ou do demo
é ordem ou confusão
O medo é medonho
o medo domina
o medo é a medida da indecisão
medo de fechar a cara
medo de encarar


medo de calar a boca
medo de escutar
medo de passar a perna
medo de cair
medo de fazer conta
medo de dormir
medo de se arrepender
medo de deixar por fazer
medo de se amargurar pelo que não se fez
medo de perder a vez
medo de fugir da raia na hora H
medo de morrer na praia depois de beber o mar
Medo... que dá medo do medo que dá

quinta-feira, 12 de janeiro de 2012

O Raio-x do Melão

 Aqui o Melão era "filhotinho", se bem que ele nunca foi exatamente "inho"...

Tem 3 meses que o Melão manca da pata traseira direita...
Ai eu chamei o Fernando, veterinário porreta, gente boa. Nas conversas com ele, mostra o carinho pelos animais que trata. Chora por causa dos maus tratos em vacas, cães e cavalos, aqui pelo pessoal da roça, "rústicos" e duros no coração quando o assunto é bicho. Para eles, bicho não tem alma, nem sentimentos, nem merece consideração.

Meu vizinho, em dia de festa, se veste com espora prateada, com fivela igual á do cinto. Chapéu combinando com a capa, e cavalo lustroso e escovado. Num dia de festa, falando comigo, levanta o pé num gesto de chute e, quando eu menos espero, chuta o focinho do fila do vizinho, que se aproximava lento e bonachão. Com o gosto de sangue que saía da ferida da espora na carne, o fila sai correndo e ganindo, para nunca mais voltar. Continua a conversa exatamente do ponto em que parou antes do chute, como se nada tivesse acontecido. Confesso que perdi a vontade de conversar e saí chateada com tudo aquilo.

Fernando faz exames no Melão, dá remédios. Ajudam na dor, ele manca menos, mas não resolve. Aí Fernando me passa uma guia e diz sério: "Tem que tirar chapa". Melão faz cara de dor no chão. Meu coração se fecha. Tadinho dele. Será que é displasia? Aiii..

E logo vem a pergunta: "- Mas Fernando, tem como fazer isso aqui na roça? O Melão tem 50 quilos, uma mandíbula de fila (o pai dele foi o que correu da esporada que levou) e nunca chegou perto de um carro nos seus quase 5 anos de vida, aliás, morre de medo...".

Fernando é homem da roça, acostumado com isso. Disse que não tinha problema. Ia chamar a Helen. Sacou do celular e me deu o número. É só agendar com a moça e com a clínica em São José dos Campos.

Tudo agendado, no dia certo a Helen chega, com sua pick-up e a "caixinha" de transporte.

Foi uma luta louca colocar o bichão lá dentro da caixa, que cada vez que a gente empurrava o bicho, menor ficava.
Ele fazia força pra não entrar..patas grudadas no chão da pick-up...corpo retesado e duro, não se mexia.
Nós duas empurrando, puxando, levantando as patas do chão pra ver se ele desgrudava...
Suadas, paramos as duas para pensar num jeito melhor. A Helen deu a idéia: vamos enfiar o Melão de ré na caixa.

Foi o que fizemos. Viramos e, olhando cara a cara com a fera, fomos empurrando o bichão caixa adentro, até que o focinho passou pela porta, e mais do que depressa, a Helen fechou a caixa, com nosso trunfo preso, tremendo mais do que vara verde.
Coitado. Tremia mesmo, com aqueles olhos pidões, com medo.

Caixa bem amarradinha lá trás, fomos para a cabine do carro e estrada afora, conversando, nem vi o tempo passar.

Tirar o bicho da caixa, entrar na clínica, ficar na sala de espera SOZINHO, para não assustar nem ficar mais assustado ainda. Isso tudo em quase 20minutos de puxar e empurrar. Ele simplesmente não se mexia.

Na hora do raio-x, outra luta.
Colocado o Melão na maca, de barriga para cima, eu de colete, segurando as patas da frente junto ao rosto dele, que olhava amedrontado para mim. O moço segurava as patas traseiras e a veterinária acionava os comandos.

"Vamos Melão, esta acabando"... "-Isso mesmo, converse com o animal, deixe o animal o mais relaxado possível...já esta acabando..espere até ver se deu tudo certo....deu tudo certo..podem desvirar o animal".

Alívio. Para ele e para nós.

Colocar o Melão na caixa, de ré, na volta foi bem mais fácil do que na ida.
Nós três já estávamos sabendo o que ia dar..um empurra-empurra, caixa, viagem, soltar no sitio.

Correr, correr e não chegar perto da "mamãe" por um tempo.
Já fizemos as pazes.
Ontem o remedinho dele eu dei no caldinho do que sobrou com um pouquinho de pão velho. Amou.

quarta-feira, 11 de janeiro de 2012

Pensamentos, de Merleau-Ponty

"Por meu campo perceptível, com seus horizontes espaciais, estou presente em meu meio, coexistindo com todas as outras paisagens que se estendem além, e todas essas perspectivas formam, juntas, uma única onda temporal, um instante no mundo".



"Ao quebrar o silêncio, a linguagem realiza o que o silêncio pretendia e não conseguiu obter".




Para ser completamente Homem, indispensável se torna ser um pouco mais e um pouco menos do que um homem.




"è verdade, como diz Marx, que a história não anda com a cabeça, mas também é verdade que ela não pensa com os pés. Ou antes, nós não devemos nos ocupar nem com a "cabeça", nem com seus "pés", mas de seu "corpo".



domingo, 1 de janeiro de 2012

Minha neta Isabella


Lí todos os livros de Tolkien, várias vezes. A emoção é sempre a mesma. Uma sensação deliciosa de sentir. Gosto de relê-lo porque ele me faz MUITO bem.

Tomo café porque adoro a sensação indescritível de prazer quando aquele líquido preto desce pela garganta, esquentando minha alma.

Moro no mato porque meu corpo, meu espírito e minha mente, se sentem em casa, porque não importa qual árvore eu terei como companheira... estarei sempre em casa ao lado dela.

Tenho cães e gatos e não consigo imaginar minha vida sem eles.

Adoro estrelas. Estudar constelações... Fazer o curso de reconhecimento celeste foi uma das coisas mais incríveis que eu fiz para eu mesma. Amei me dar este curso.

Amo Coldplay.
Amo orquídeas, rosas e lírios.
Amo pores-de-sol. Amo nasceres de sol.
Amo conversas com amigos que duram horas, que entram pelo peito, que vasculham gavetas e cantos de quartos, á procura de algum segredo, de algum escondido que valha a pena sangrar pra fora...

Amo internet, nas minhas viagens intermináveis por todo lugar, em qualquer hora, para fazer qualquer coisa...

Amo pintar e desenhar.
Amo pessoas, importantes e especiais, todas elas.

Junta tudo, e aí dá pra chegar perto de sentir o que é ser avó.

Ainda me lembro quando eu saí a primeira vez no pátio da escola para meu primeiro "recreio" no meu primeiro dia de aula no primeiro ano do colégio estadual Professor Reynaldo Porchat. Menina de tudo. Com medo da agitação, da gritaria louca, da enorme quantidade de crianças que corria pelos corredores, saindo sem parar das classes abertas, com suas portas escancaradas cuspindo crianças de todos os tipos...que louco.

Hoje, faltando poucos dias para completar 48 anos, eu tenho uma neta, que vai começar, daqui a pouco tempo, se o mundo não acabar, a escola, e eu vou levá-la de mãos dadas ao seu primeiro dia de aula no primeiro ano do colégio e vou dizer que ela que não precisa ter medo não ...

quarta-feira, 28 de dezembro de 2011

terça-feira, 27 de dezembro de 2011

Não comemoro Natal, mas sou uma pessoa legal.

Não comemoro Natal, mas sou uma pessoa legal. Acho que é porque não tem criança aqui em casa e, mesmo se tivesse, fico pensando em como eu posso olhar nos olhos daquele criatura que eu amo e que espera de mim a verdade porque acredita de fato em tudo o que eu falo, que existe um homem assim assim assado, morando no pólo norte.

Aqui só tem adulto, que sabe que Papai Noel não existe, que ele é uma figura vinda de outro país, numa realidade bem diferente (com neve, frio...) da nossa. Não tem ninguém aqui que tenha que dar presente obrigado, só porque a data dita isso. Aqui tem gente que dá presente quando quer e quando pode. Adulto não quer dizer chato, sem espírito esportivo. Não quer dizer que não se divirta com festas populares, com folclore ou mundos em dimensões além da nossa imaginação. Mentir é que é o problema. Se eu acreditasse...se eu...mas não acredito em Papai Noel. 

Não comemoro o nascimento de Jesus no dia 25 de dezembro não porque sou de outra religião, ou porque não tenho religião nenhuma, mas porque para mim, Jesus tem que nascer no meu peito, e não numa data certa, mas sim quando meu peito estiver aberto para isso. Jesus nasce todos os dias, todas as horas. A data 25 de dezembro foi inventada. Ajuda a lembrar Daquele que não deveria ficar esquecido o ano todo. 

Não faço ceia, porque a janta tem hora pra sair, quentinha do fogão de ir pra mesa, já que tem hora pra acordar, e trabalhar cedo, e ficar o dia todo na lida da vida. Na hora da janta, comida boa, santa, feita de tudo o que deu pra comprar e para fazer nesta data de luz, ou seja, todo dia. Todo dia é santa ceia, de comida que abençoa e nutri. Todo dia é dia de agradecer pela vida, pelo alimento, pela chance, por tudo.

Ser adulto não é não ter Espírito Natalino, mas vamos combinar? Espírito Natalino é sagrado, e não tem que ter, necessariamente, esse nome. Chama-se AMOR, RESPEITO, PAZ, FAZER O MELHOR, LEVANTAR E SEGUIR, ACREDITAR. Não tem bom velhinho vestido de vermelho, com barba de algodão. Ridículo. Num país tropical? Todas as pessoas que fazem o bem do dia do Natal podem fazê-lo em qualquer outro dia. Quem nunca fez nada de bom para alguém, pode começar agora, não precisa esperar o Natal.

Desejar que todo dia seja Natal.
Desejar que você receba e dê muitos presentes.
Desejar que Jesus nunca morra em nossos corações.
Desejar que cada pessoa neste planeta possa ter ao menos, uma refeição.
Desejar que todas as crianças do mundo tenham educação, brinquedo e comida, saúde e amor.

Desejar uma humanidade feliz neste planeta lindo, num universo infinito de possibilidades para cada um de nós.

sexta-feira, 9 de dezembro de 2011

Chove lá fora e, aqui....

Hoje eu acordei com aquele som gostoso que a água que cai do céu faz ao tocar o solo verde da montanha. Saí da cama e fui pra sala, sem olhar o chão. Fui louca pra dar com a imagem tão querida do vale branco em chuva. As nuvens pesadas, barrigudas de água, caminham baixas por aqui, despejando o bendito líquido no solo agradecido.

As chuvas demoraram a chegar este ano. Começou praticamente agora em dezembro, coisa que desde setembro deveria estar acontecendo. Eu não sei o que isso quer dizer...é como se eu pudesse ler de diversas formas a mesma coisa. Se as águas demoraram a chegar é porque o planeta esta mudando? Pode ser mesmo que o efeito de nosso desrespeito e orgulho estejam alterando definitivamente as estações? Teremos seca? Enchentes? Não é isso o que se vê o tempo todo na televisão?
Seja lá o fim de algo ou o recomeço de algo, eu sei que as pessoas estão cada vez mais perturbadas. Isso não é ser negativa: é ver os fatos. A violência está em toda parte, embora meus olhos possam ver a Bondade em cada centímetro verde de chão. Na roça ou na cidade, vejo que pessoas sensíveis e que enfrentam dores que ninguém pode ajudar (no pensamento delas) se entregam á morte como última tentativa de paz. Que pena. A desesperança, destruindo tudo à sua volta, não pode ser boa conselheira.

Minha vizinha chegou chorando em casa ontem, Estava me ajudando com a roupa no tanque e vi que seus olhos choravam de tristeza. O sobrinho se enforcou na árvore da praça, na rua onde morava. Faz um mês que isso aconteceu, e a tristeza ainda não esmoreceu um milímetro sequer. Meu peito doeu junto com esta mulher forte e resiliente, com testemunho de vida cheio de estórias para contar. É muito bom ouvir sua voz feminina e sotaque da roça contando as aventuras de quem nasceu e foi criada na vida natural, onde só se comprava na vendinha um quilo de sal e querosene pra "lumiá" a casa. O resto..hum.. tudo se fazia na mãos laboriosas de homens e mulheres que quase não existem mais.

Duas pessoas, no bairro onde minha irmã mora, na cidade grande, se jogaram de seus apartamentos para a morte. Que pena... por quê a sensibilidade nos leva a este ato de dor suprema? O que estamos fazendo conosco? Com nossos filhos? 

Você já parou para pensar nisso? 
Que mundo estamos construindo? Que mundo estamos destruindo?
Que marcas deixamos para futuras gerações? Que gerações são estas?
da simples parece ser uma solução pessoal e intransferível, seja qual for o filtro de minha visão das coisas:

se o copo esta meio cheio, a vida simples vem preencher a outra metade com soluções ecológicas que não danificam o meio ambiente, preservando assim o único meio de trasporte que temos nesta vasta imensidão do céu.
se o copo esta meio vazio, a vida simples me parece o único meio inteligente de enfrentar o futuro, salvando recursos alternativos para os piores tempos.

E ainda não parou de chover lá fora.
Fazer cada um a sua parte, sem se importar se amanhã o mundo vai acabar ou não.

Eu escolho viver.
E viver bem, e melhor, comigo mesma, com os que me cercam e com o planeta que me acolhe.
Eu escolho acreditar.
E você??

quarta-feira, 23 de novembro de 2011

Damien Hirst




Damien Hirst é um artista britanico e terá a primeira retrospectiva de sua carreira na Grã-Bretanha, entre 04 de abril e 09 de setembro de 2012, financiada pela Autoridade dos Museus de Catar, reunindo mais de 70 obras de Hirst. 

For the Love of God, que arrecadou o equivalente a 100 milhões de dólares em 2007 quando foi vendido a um consórcio de investidores incluindo o próprio artista, é um dos seus trabalhos mais famosos e controversos. Um crânio humano com forma de platina, do século 18, foi coberto com 8,6 mil diamantes, incluindo um rosa de 52,4 quilates estimado em 4 milhões de libras (6,3 milhões de dólares). Assim como boa parte da obra de Hirst, a escultura é um comentário sobre a mortalidade, a morte e as forças do mercado.

Até ai tudo bem. Qualquer site de notícias pode comentar muito parecido com o que eu escrevi em cima.
Mas olhar as obras de um artista é uma experiência bem louca, porque é única e intransferível. Pode contagiar, como qualquer emoção faz, como um bocejo... Pode mudar a vida de alguém, ou marcar um acontecimento para sempre. 

Um dia eu assisti um filme de terror, chamado "A Cela". Ideia era bem legal. Uma especialista em autistas entra na cabeça de um assassino em série para saber se consegue ler os pensamentos do moço, que esta em coma e com uma vítima, possivelmente ainda viva, em algum lugar. Na cabeça deste psicopata, ela encontra um universo bem estranho, incluindo (e é ai que eu quero chegar) uma cena onde um cavalo é fatiado em centenas de fatias finas por dezenas de lâminas que saem não sei de onde e, quando se recolhem, o corpo fatiado do cavalo cai em sangue e coisas nojentas espalhadas para todo o lado.
Esta cena do cavalo é muito parecida com a obra de Hirst. Suas ovelhas, vacas, tubarões, nadando em líquidos conservantes é como entrar na cabeça de um artista e sentir o que ele sente quando se fala (em imagens) sobre a morte, a vida...

Olhar sua interpretação de Adão e Eva é, no mínimo, desconcertante. Um exercício de mórbida curiosidade para saber se debaixo daqueles lençóis azuis estão nossa origem bíblica: dois buracos mostram os sexos dos corpos, com seus pelos e tudo. É o que se desvenda de Adão e Eva: o fato de que o casal primevo da humanidade foi reduzido a um impulso sexual, que move a todos nós desde então.

A vaca crucificada numa parede branca me faz pensar seriamente em ser vegetariana. Ver a carcaça escancarada e vazia da vaca, que doou tudo para a humanidade se refestelar, ali pendurada faz pensar, não é??

Então um artista não está no mundo para que estes rompantes artísticos nos perfurem a casca grossa, e nos atinjam em cheio no âmago do ser?