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domingo, 2 de outubro de 2011

Diferença entre gerações

"Na fila do supermercado o caixa diz a uma senhora idosa que deveria trazer suas próprias sacolas para as compras, uma vez que sacos de plástico não eram amigáveis ao meio ambiente. A senhora pediu desculpas e disse: “Não havia essa onda verde no meu tempo.”

O empregado respondeu: "Esse é exatamente o nosso problema hoje, minha senhora. Sua geração não se preocupou o suficiente com nosso meio ambiente. "

"Você está certo", responde a velha senhora, nossa geração não se preocupou adequadamente com o meio ambiente.

Naquela época, as garrafas de leite, garrafas de refrigerante e cerveja eram devolvidos à loja. A loja mandava de volta para a fábrica, onde eram lavadas e esterilizadas antes de cada reuso, e eles, os fabricantes de bebidas, usavam as garrafas, umas tantas outras vezes.




Realmente não nos preocupamos com o meio ambiente no nosso tempo. Subíamos as escadas, porque não havia escadas rolantes nas lojas e nos escritórios. Caminhamos até o comércio, ao invés de usar o nosso carro de 300 cavalos de potência a cada vez que precisamos ir a dois quarteirões.



Mas você está certo. Nós não nos preocupávamos com o meio ambiente. Até então, as fraldas de bebês eram lavadas, porque não havia fraldas descartáveis. Roupas secas: a secagem era feita por nós mesmos, não nestas máquinas bamboleantes de 220 volts. A energia solar e eólica é que realmente secavam nossas roupas. Os meninos pequenos usavam as roupas que tinham sido de seus irmãos mais velhos, e não roupas sempre novas.




Mas é verdade: não havia preocupação com o meio ambiente, naqueles dias. Naquela época só tínhamos somente uma TV ou rádio em casa, e não uma TV em cada quarto.E a TV tinha uma tela do tamanho de um lenço, não um telão do tamanho de um estádio; que depois será descartado como?


Na cozinha, tínhamos que bater tudo com as mãos porque não havia máquinas elétricas, que fazem tudo por nós. Quando embalávamos algo um pouco frágil para o correio, usamos jornal amassado para protegê-lo, não plastico bolha ou pellets de plástico que duram cinco séculos para começar a degradar.


Naqueles tempos não se usava um motor a gasolina apenas para cortar a grama, era utilizado um cortador de grama que exigia músculos. O exercício era extraordinário, e não precisava ir a uma academia e usar esteiras que também funcionam a eletricidade.



Mas você tem razão: não havia naquela época preocupação com o meio ambiente. Bebíamos diretamente da fonte, quando estávamos com sede, em vez de usar copos plásticos e garrafas pet que agora lotam os oceanos. Canetas: recarregávamos com tinta umas tantas vezes ao invés de comprar uma outra. Abandonamos as navalhas, ao invés de jogar fora todos os aparelhos 'descartáveis' e poluentes só porque a lámina ficou sem corte.



Na verdade, tivemos uma onda verde naquela época. Naqueles dias, as pessoas tomavam o bonde ou se deslocavam de ônibus e os meninos iam em suas bicicletas ou a pé para a escola, ao invés de usar a mãe como um serviço de táxi 24 horas. Tínhamos só uma tomada em cada quarto, e não um quadro de tomadas em cada parede para alimentar uma dúzia de aparelhos. E nós não precisávamos de um GPS para receber sinais de satélites a milhas de distância no espaço, só para encontrar a pizzaria mais próxima.

Então, não é risível que a atual geração fale tanto em meio ambiente, mas não queira abrir mão de nada e não pensa em viver um pouco como na minha época?”

quinta-feira, 29 de setembro de 2011

O mar no deserto de Atacama - pequenos relatos de minhas viagens I

Chegamos no deserto do Atacama de avião e duas mochilas. Na verdade, o danado aterrizou em Calama, cidade vizinha. Antes do pouso, só areia e sal. 600 km e uma pequena faixa de cimento na imensidão seca e quente. O vento lá é inacreditável. É difícil manter aquele monstro voador na linha reta. Pensei que eu fosse morrer.

De manhã cedinho, embarcamos numa aventura pelo deserto. Iríamos visitar várias cidades que vivem do turismo. São aldeias no meio do deserto, com pouca água, muita luta. Cada aldeia, uma estória.
Mas venho aqui falar de uma aventura neste dia que tirou meu fôlego e continua fazendo isso. Na minivan, eu pensava, já com fome, iríamos comer. O carro subia a montanha, e os turistas conversavam animados, olhando para o deserto que ficava maior em extensão à medida que a van subia. Lá em cima, quando a van virou, nós todos paramos de falar ao mesmo tempo.

Na imensidão de montanhas, um mar azul e cristalino. Uma visão mágica. Enquanto nós tirávamos fotos, duas pessoas desceram do carro e foram na frente, com o aviso do guia que esclareceu que a água é extremamente salgada, e que em hipótese alguma deveríamos molhar o corpo ou tomar daquela água. Com o sol do deserto, a água salgada na pele queima muito depressa, levantando bolhas. E beber água salgada só dá mais sede.

DA PRA VER NA FOTO AS DUAS PESSOAS QUE FORAM NA FRENTE
Lugar mágico.
Vale muito a pena sair de mochila nas costas pra visitar esse lugar.
Foi um dos melhores almoços da minha vida.
Comida fria, água fresca e muito sol.
Tudo de bom, né?

quinta-feira, 22 de setembro de 2011

coisas do mundo vistas por alguém da roça II


Ontem eu vim da roça pra cidade.
5:30 da manhã a bicharada da noite está indo dormir e a bicharada do dia, levantando pra mais um dia de lutas.
Tudo igual ontem. Tudo igual amanhã.
Na cidade as coisas são diferentes, com certeza. Nem sempre para o mal.
Pessoas fazem a "troca da guarda" também, pois a cidade não dorme. O turno noturno volta pra casa, e o diurno acorda para o trabalho. Até aí tudo igual.
Mas a semelhança com o mundo da roça termina ai. Nada mais na cidade é natural.
Para começar, a quantidade de gente que circula pelas grandes cidades é um absurdo. Na roça anda-se muito para encontrar alguém. Os cães vão junto com a gente, cheirando o chão e o ar atrás de pistas. De vez em quando ouve-se o ruído de alguma folha mais pesada despencando pelas árvores, caindo no chão. Um pássaro responde ao outro. O som de água da cachoeirinha do "Seu" Isaías é um dos mais gostosos de se ouvir.
Na cidade, tudo lotado.
Hotel cheio. Conversei com o moço do estacionamento, que me disse que é sempre assim. Chega cliente cansado de rodar a cidade atrás de vaga em hotéis. Não tem lugar. E é claro, assunto em toda parte: como vai ser na COPA. Ele fez uma careta: "-Vai ser um inferno, dona (odeio quando me chamam de dona). Se durante a semana, em dias normais, sem evento ou convenção, já é cheio, imagine na COPA." 
Na roça, a cidade é mais calma. Pode não ter lugar na praça principal, mas nas ruinhas ao redor tem sempre uma vaga. Na rua da Igreja é onde eu mais gosto de parar. Rua calma, com o velório á esquerda e o cemitério ao fundo.
Nos semáforos da cidade, a moça sempre risonha entrega o jornal "Metrô", que eu sempre leio. Na roça, faz pouco tempo a farmácia da rua principal começou a vender jornal. Tem só a FOLHA e a revista Veja de vez em quando. Mas, se eu quiser notícias fresquinhas, vou na padaria da Carmem. Lá tem sempre novidade do bairro, da cidade, das estradas.
Na cidade, o crack está em toda parte. Na roça também está invadindo os rincões mais afastados, levando jovens e "não tão jovens" para um buraco sem fundo. Assim como o álcool, que crianças e jovens tem livre acesso. Pinga aqui na roça se dá pra criança beber, sem problema. Os pais de vez em quando dão uma risadinha, como quem diz que não tem jeito mesmo. Uma pena. Ficam moles. indolentes, perdidos. Acabam roubando galinhas, celulares, câmeras digitais pra venderem por uma pedra ou duas. 
Na cidade, as pessoas fazem greve de fome para melhorar a educação. Na roça, os professores falam errado e não sabem que falam errado. Perpetuam, ás vezes com amor, um erro, por não saberem que estão caindo em erro. ( "Menas" PRESSA, gente... seis tão na roça...) Sabe??
Pra comer, tem de tudo. Tem padarias 24h, tem comida de todo lugar do mundo, tem as melhores pizzas. Na minha cidade, eu tenho do melhor. Tem um restaurante japonês, um sushimen de primeira (é professor desta arte em São Paulo). Restaurante sempre vazio (só com alguns turistas mais inteligentes) ou moradores (inteligentes) como eu, que não é turista mas não é "nascido e criado" lá, sabe?? Salmão com capa de gergelim é a melhor pedida. E tem a Pizzaria Cabocla, que tem a melhor pizza de São Paulo, mesmo!!
Não precisa se preocupar com lugar pra estacionar, nem em dar dinheiro pra alguém "guardar" o carro.
Mundos diferentes, mas iguais em muitos pontos.... :)
Roça, roça que te quero verde. Amanhã volto pra roça, se "deusquiser"...
E Ele quer... sempre.

sexta-feira, 16 de setembro de 2011

Coisas do mundo vistas por alguém da roça

Hoje eu abri meu note e li uma reportagem falando sobre o povo palestino. Que situação difícil deste povo, tirado de suas terras, vivendo soltos pelo mundo, achando que a violência e o descaso das outras pátrias é a única verdade.
Olhei pela janela. Lá fora, cada ser vivo que vive entre a mata tem seu território. E luta com sua própria vida para defende-lo. Meus cães, enormes e bobos, se tornam gigantes e bravos quando se trata de defender seu território, rosnando e arrepiando os pelinhos das costas. Adoro ver a cena.
As plantas vão crescendo, se expandindo para todos os lados, reclamando a supremacia no território todo da terra, onde eu, incauta, construí minha casa de tijolos e cimento. Elas estão reclamando o que é seu: sua terra, por direito divino.
Se é assim no quintal da minha casa, entre os seres naturais que estavam lá antes de mim, fico imaginando entre os seres humanos, dotados de consciência desde há muito tempo.
Está errado um povo ser tirado de suas terras, obrigado a vagar, viver em acampamentos, enfrentando todo tipo de problema, porque não tem um lugar para chamar de pátria.
As coisas deveriam ser mais simples, se resolvendo de forma rápida, para livrar as pessoas da dor.

Li também que os cientistas britânicos estão inventando uma máquina que lê sinais de mentira nos rostos analisados. Que coisa louca, pensei! Uma máquina para analisar faces humanas para fins de espionagem, ou sei lá mais o que.
Olhei de novo pra janela e pensei: ficamos inventando máquinas para ler os outros, saber dos outros, espionar os outros, cuidar dos outros... Espelho ninguém quer, né?? Se olhar fundo na imagem refletida, ver-se nú(a) e crú(a)... como se é. Na simplicidade da verdade, encontrar-se a si mesmo. The ultimate journey.
Não há nada além deste contato com a alma, pois que isso será o único bem que levaremos desta para melhor.   Nada mais natural, de acordo com as leis que regem nossa natureza planetária: cada um cuide de seu nariz, fazendo seu melhor, cuidando de seu lar, suas coisas, sua vida.
As coisas deveriam ser mais interiores, se resolvendo na velocidade que nosso ser suporta, para nos livrar dos problemas e limites que impomos á nós mesmos.

Lí que o FBI tem pistas de quem vazou as fotos da  Scarlett Johansson na internet. DEIXA VAZAR, gente!!!Deixa a beleza fluir pelas ondas. Adoro homem e não sou homossexual. Mas sou adoradora do belo, da arte. Olhar pela janela e ver só coisa linda também faz parte da vida simples, auto sustentável.

Li que senado adia votação do novo código florestal.
"O artigo 8º do novo código permite que haja modificação ou supressão de vegetação nativa em Área de Preservação Permanente (APP) nas hipóteses de utilidade pública, de interesse social ou de baixo impacto ambiental".
Que é isso gente?? Deixar uma janela aberta deste jeito, escancarada, para que gente de má fé possa desmatar para "interesse social"?? que é isso?? Utilidade pública?? que é isso?? que medo de tudo ser perder, de desmatarem tudo porque alguém falou que era utilidade pública.
Desta vez, não olhei pela janela. Ver a mata lá fora, verdinha e tão frágil, dependendo cada vez mais dos humanos, me deixou absolutamente triste.
As coisas deveriam caminhar para a Natureza, para a direção do planeta, da vida, da sustentação inteligente, ecológica, limpa, para nos livrarmos de um futuro de seca, de miséria, de fome e doenças. 

O que estamos fazendo em nossos dias?? O que fazemos de nossas horas? Da voz, das mãos, das pernas, da inteligência que "ganhamos"?? O que estamos deixando de fazer?
Que lutas não travamos?
O que estamos esperando?



segunda-feira, 12 de setembro de 2011

  


O Alimento dos Deuses – Terence McKenna

“... a humanidade atravessou um divisor de águas para um  mundo cada vez mais pobre de espírito, mais dominado pelo ego, um mundo cujas energias se aglutinavam no monoideísmo, no patriarcado e no domínio masculino. Daí em diante os grandes relacionamentos vegetais, modeladores das sociedades do Mundo Antigo, declinariam para o status de mistérios, buscas esotéricas de viajantes endinheirados e dos obcecados religiosos e, mais tarde, dos investigadores com inteligência cínica. 

Enquanto os Mistérios desapareciam, o alfabeto fonético ajudava a levar a consciência para um mundo que enfatizava a linguagem escrita e falada, e para longe de um mundo de percepção pictográfica gestáltica. Esses desenvolvimentos reforçaram o surgimento do estilo de cultura dominadora e antivisionária. 

Teve início a escura noite da alma planetária, que chamamos de civilização ocidental”.








PAVAN GURU (Air is the Guru) PANI PITA (Water is the Father) MATA DHARAT MAHAT (The Great Earth is our Mother)

Delícia de música, pra ouvir em qualquer hora.

Uma oração, não importa a letra.

domingo, 11 de setembro de 2011

11 de setembro

No dia 11 de setembro de 2000 eu estava reformando uma casa antiga, recém adquirida numa vila simpática num bairro de sampa, Vila Mariana. "Seu" Almir chefiava os pedreiros que quebravam e desmontavam tudo o que não era mais para existir. Tijolos e cimento vinham ao chão para celebrar o novo, o recomeço. Planos para morar numa casinha linda, com um jardim florido e cheiroso, na busca eterna pela paz. Planos também de viver a difícil comunhão de almas, juntando duas pessoas diferentes num só teto e esperar que tudo dê certo.

Os papéis no escritório amontoavam e eu tentava, naquela manhã, dar ordem em tudo aquilo.
Mas meus olhos grudaram na tela de uma televisão, displicentemente ligada. A moça que dava a notícia titubeava ao informar o que estava acontecendo, ela mesma sem saber o que era aquilo tudo. Estranho como tudo parou dentro de mim, menos a sensação do coração batendo forte.

Hoje, sentada aqui na frente do computador, penso no destino daquelas pessoas e no meu próprio. De alguma forma encantada, que só Deus pode saber de onde vem, a humanidade que há em mim me ligou ao acontecido, e minha alma gemeu de dor.
Ser humana, homo sapiens, igual a qualquer outro no planeta.
Somos todos a mesma coisa, e tão diferentes mesmo assim.
Nossas estórias pessoais são particulares, mas nossa humanidade, não! Nossa humanidade faz de nossa estória uma só.
E a consciência de que caminhamos juntos, na mesma esfera azul, faz com que esta estória seja ainda mais dramática, pois que rodamos ligados uns aos outros pelo universo, escrevendo nossas estórias através do tempo e do espaço, pelo infinito afora.
Somos seres capazes de atos atrozes, contra seres de nossa própria espécie quanto de outras. Violamos, escravizamos, torturamos. Tiramos sangue e dor de qualquer ser vivo que passe em nossa frente. Destruímos habitats inteiros por puro capricho, tirando do natural animais e plantas, sem piedade ou peso na consciência.
Mas a sombra mostra também a luz.
Mostra as mãos que se estendem, as vozes que se levantam no lamento por seus irmãos. Fala da força da união quando nos damos as mãos para algo maior.

Na minha cabeça, penso que ainda teremos muito a sofrer, muita sombra ainda. Não porque não acredito na evolução humana. Apenas acredito que esta evolução se faz a pequeninos passos, lentamente, ás vezes levando os séculos nas costas.

E nossa estória coletiva ainda vai escrever muitas estórias particulares. Nosso planeta azul ainda vai viver fortes emoções. E eu vou apenas fazer a minha parte, da melhor forma possível.

quarta-feira, 31 de agosto de 2011

Neutrinos e por que amo viver





Hoje, lí um artigo na Scientific American, Brasil, de Lawrence M.Krauss, físico teórico e diretor da Origins Initiative, pertencente à Arizona State University (www.krauss.faculty.asu.edu).
E enquanto eu lia, eu não podia deixar de pensar em comentar aqui o que estava lendo.

O homem é um físico, o que seria mais um reforço, um pleonasmo, daquilo que faz com que Marte e Vênus sejam tão diferentes. Achei que fosse ler mais um artigo "duro", hermético, escrito para outros físicos, afinal, numa revista de Ciência, eu espero o que, não é mesmo?? Achei que fosse ler algo prático...como posso dizer...masculino...

Mas... no primeiro parágrafo ele começa assim:

"Confesso. Tenho e sempre tive uma queda por neutrinos.

Entre todas as partículas conhecidas, só os neutrinos têm delicadas propriedades que se destacam e são românticas o suficiente para inspirar um poema de John Updike* ou mergulhar equipes de cientistas nas profundezas dos segredos durante 50 anos com gigantescos dispositivos eletrônicos para desvendar seus mistérios.

Continua a me assombrar o fato de que, a cada segundo de cada dia, mais de 6.000 bilhões de neutrinos oriundos de reações nucleares dentro do Sol penetram no meu corpo, e a maioria deles atravessará a Terra sem interrupção. Mas me impressiona muito mais que, em vez desse fantasmagorismo, podemos detectá-los, testá-los e revelar seus enigmas"

Pensei em tanta coisa.

Primeiro abrir meus braços nesta imensidão, do alto da montanha, e receber consciente e grata este bombardeio de neutrinos, suaves viajantes do universo infinito. Saber que o Sol, numa explosão nuclear somada a outras despejou no Universo estas partículas fantasmas, viajantes das dimensões do Cosmos, esta neste momento, passando pelos meus poros, entrando em mim... o pensamento me guia num movimento de corpo de abrir o peito e de expandir meus pulmões, como se respirando fundo eu pudesse absorver mais energia do sol. E pensar me faz acreditar nesta energia do sol que esta me transpassando agora, fazendo com que me disponha a absorver energia e deixar que esta luz fique em mim. E saber que está em mim me ajuda a melhorar meu diálogo com minhas células, alimentando-as agora com luz.

Pensei também que o Universo esta cheia de viajantes invisíveis. Os Neutrinos quase não tem massa...são tão pequenos que atravessam um bloco de chumbo sólido SEM ENCOSTAR NA MATÉRIA.Como algo pode passar chumbo sólido e não encostar em nenhuma molécula, em nenhum átomo?? Nada?? Ele simplesmente passa reto.

Fico meio maluca quando leio que "A vida média de um Nêutron livre é de aproximadamente 12 minutos". Tudo bem um cientista, alguém que passou a vida inteira estudando. Mas o mais próximo que eu chego de física é na astronomia, e de raspão. De resto, faço sabão com óleo usado, me aventurando na química...cozinha é alquimia pura..então me sinto ligada ao meio acadêmico científico pós-moderno liberal. Mas que fico doidinha da silva com esses assuntos, lá isso eu fico mesmo.

Aliás, John Updike, que foi citado acima, só poderia escolher

como assunto os neutrinos, ele que escreveu
"As bruxas de Eastwick", uma delícia de filme, com o ótimo Jack
Nicholson como o Diabo e as bruxas Michelle Pfiffer, Susan Sarandom e Cher.



*

Cosmic Gall

John Updike

Neutrinos they are very small.
They have no charge and have no massAnd do not interact at all.The earth is just a silly ballTo them, through which they simply pass,Like dustmaids down a drafty hallOr photons through a sheet of glass.They snub the most exquisite gas,Ignore the most substantial wall,Cold-shoulder steel and sounding brass,Insult the stallion in his stall,And, scorning barriers of class,Infiltrate you and me! Like tallAnd painless guillotines, they fallDown through our heads into the grass.At night, they enter at Nepal
And pierce the lover and his lass
From underneath the bed – you call


It wonderful; I call it crass.

Já que estamos falando em chefes indígenas...





Meu coração chora de saber que nada disso mudou. Nem do lado deles (que já descobriram a verdade), nem dos que não sabem de nada.

Mensagem do Chefe Seattle 

"O Grande Chefe em Washington manda comunicar que deseja comprar nossas terras; O Grande Chefe também nos envia palavras de amizade e de boa vontade. Reconhecemos sua gentileza, porque sabemos que ele não necessita da nossa amizade, mas levaremos em conta que se não o fizermos, o homem branco virá com armas, para tomar nossas terras.Quando o grande Chefe Seattle fala, o Grande Chefe em Washington pode confiar na sua palavra como ele pode contar com o retorno das estações, da Primavera, do Verão, do Outono e do Inverno e as palavras do Cacique são como as estrelas, elas não se desvanecem".
"C omo se pode comprar ou vender o céu, o calor da Terra? Essa idéia nos é estranha, nós não possuímos a frescura do ar ou o brilho da água, como poderíamos vendê-los então?"
"OGrande Chefe em Washington manda comunicar que deseja comprar nossas terras.Oportunamente decidiremos. Todas as partes desta terra são sagradas para o meu povo; cada uma das agulhas brilhantes do pinheiro, todas as areias das praias, toda a bruma no fundo do bosque, toda a clareira ou zumbido de inseto, são sagrados na memória e na experiência do meu povo.Nós sabemos que o Homem Branco não entende as nossas maneiras; para ele, a terra é igual em toda parte, porque ele é um estranho que chega de noite e arranca da terra tudo o que ele necessita; para ele a terra não é a sua irmã, mas sua inimiga e quando ele a conquista, ele segue adiante, ele deixa atrás sepulturas dos seus pais e não se importa; ele seqüestra a terra a seus próprios filhos; ele, o Homem Branco não se importa."
"Estão esquecidos os direitos inatos de seus filhos; sua ambição devorará a terra e deixará somente o deserto. O aspecto de vossas cidades dói na vista do Pele-Vermelha, mas talvez seja porque o Pele-Vermelha é um selvagem e não entende."
"Não há lugar tranqüilo nas cidades do Homem Branco; não há lugar para ouvir as folhas da Primavera ou o sussurro das asas dos insetos, mas talvez, eu seja selvagem e não consiga entender a barulheira, essa barulheira que só insulta os meus ouvidos; mas, o que sobra da vida se o homem não mais pode ouvir o delicioso canto do rouxinol ou as discussões noturnas das rãs em volta do lago? O índio sente a aragem do vento soprando sobre a face do açude e o próprio odor do vento soprando sobre as terras, levado pela chuva do meio-dia ou o próprio vento aromatizado pelo pinheiro; o ar é precioso para o Pele-Vermelha porque todas as coisas compartilham o mesmo suspiro, os animais, as árvores, o homem. O Homem Branco parece que não nota o ar que respira, como o homem que está morrendo, há muitos dias, ele é insensível ao aroma. Se eu decidir aceitar, farei com uma condição: o Homem Branco deverá tratar os animais desta terra como seus irmãos; eu sou selvagem e não conheço outras maneiras. Eu vi apodrecendo nas pradarias milhares de carcaças de búfalos abandonados pelo Homem Branco que os matou a tiros da janela do trem; eu sou selvagem e não posso compreender como este fumegante cavalo de ferro seja mais importante que o búfalo, que nós matamos somente para viver."
"Quando todos os animais desaparecerem, o homem morrerá da grande solidão do Espírito, porque tudo o que acontece aos animais, acontece também ao homem; todas as coisas são interligadas: tudo o que acontecer à terra, acontecerá ao filho da terra". 

Cacique Guaicaipuro


Sabe qual a origem deste texto? E ISSO IMPORTA?
Não para mim.
Não mesmo.
Tá completa, perfeita.
Tô rica.


"A DÍVIDA EXTERNA DA EUROPA

Índio surpreende chefes na reunião de cúpula

Com linguagem simples, que era transmitida em tradução simultânea para mais de uma centena de chefes de estado e demais dignatários da Comunidade Européia, o discurso do Cacique Guaicaipuro Cuatemoc provocou um silêncio inquietante na audiência quando falou:



"Aqui estou eu, descendente dos que povoaram a América há 40 mil anos, para encontrar os que a encontraram só há 500 anos.

O irmão europeu da aduana me pediu um papel escrito, um visto, para poder descobrir os que me descobriram. O irmão financista europeu me pede o pagamento, com juros, de uma divida contraída por um Judas, a quem nunca autorizei que me vendesse.

Outro irmão europeu, um rábula, me explica que toda dívida se paga com juros, mesmo que para isso sejam vendidos seres humanos e países inteiros sem pedir-lhes consentimento.

Eu também posso reclamar pagamento, também posso reclamar juros.

Consta no Arquivo das Índias. Papel sobre papel, recibo sobre recibo, assinatura sobre assinatura que somente entre os anos 1503 e 1660 chegaram a São Lucas de Barrameda 185 mil quilos de ouro e 16 milhões de quilos de prata provenientes da América

Terá sido isso um saque?

Não acredito porque seria pensar que os irmãos cristãos faltaram ao Sétimo Mandamento!

Teria sido espoliação? Guarda-me Tanatzin de me convencer que os europeus, como Caim, matam e negam o sangue do irmão

Teria sido genocídio? Isso seria dar crédito aos caluniadores, como Bartolomeu de Las Casas que qualificam o encontro de "destruição da Índias" ou Arturo Uslar Pietri, que afirma que a arrancada do capitalismo e a atual civilização européia se devem à inundação de metais preciosos retirados das Américas!

Não, esses 185 mil quilos de ouro e 16 milhões de quilos de prata foram o primeiro de outros empréstimos amigáveis da América destinados ao desenvolvimento da Europa. O contrário disso seria presumir a a existência de crimes de guerra, o que daria direito a exigir não apenas a devolução, mas indenização por perdas e danos.

Eu, Guaicaipuro Cuatémoc, prefiro pensar na hipótese menos ofensiva.

Tão fabulosa exportação de capitais não foi mais do que o início de um plano "Marshal-tezuma", para garantir a reconstrução da Europa arruinada por suas deploráveis guerras contra os muçulmanos, criadores da álgebra, da poligamia, do banho diário e outras conquistas da civilização.

Por isso, ao celebrarmos o Quinto Centenário desse Empréstimo, poderemos nos perguntar: Os irmãos europeus fizeram uso racional, responsável ou pelo menos produtivo desses recursos tão generosamente adiantados pelo Fundo Indo-americano Internacional?

É com pesar que dizemos não.

No aspecto estratégico, o dilapidaram nas batalhas de Lepanto, em armadas invencíveis, em terceiros reichs e outras formas de extermínio mútuo, sem um outro destino a não ser terminar ocupados pelas tropas gringas da OTAN, como um Panamá, mas sem o canal.

No aspecto financeiro foram incapazes, depois de uma moratória de 500 anos, tanto de amortizar o capital e seus juros, quanto se tornarem independentes das rendas liquidas, das matérias primas e da energia barata que lhes exporta e provê todo o Terceiro Mundo.

Este quadro corrobora a afirmação de Milton Friedman, segundo a qual uma economia subsidiada jamais pode funcionar. E nos obriga a reclamar-lhes, para o seu próprio bem, o pagamento do capital e dos juros que, tão generosamente temos demorado todos estes séculos para cobrar.

Ao dizer isto, esclarecemos que não nos rebaixaremos a cobrar de nossos irmãos europeus, as mesmas vis e sanguinárias taxas de 20% e até 30% de juros que os irmãos europeus cobram aos povos do Terceiro Mundo. Nos limitaremos a exigir a devolução dos metais preciosos emprestados, acrescidos de um módico juro fixo de 10%, acumulado apenas durante os últimos 300 anos.

Sobre esta base, e aplicando a fórmula européia de juros compostos, informamos aos descobridores que eles nos devem 180 mil quilos de ouro e 16 milhões de quilos de prata, ambas as cifras elevadas à potência de 300. Isso quer dizer um número para cuja expressão total seriam precisos mais de 300 cifras, e que supera amplamente o peso total do planeta Terra.

Muito peso em ouro e prata! Quanto pesariam calculados em sangue?

Admitir que a Europa, em meio milênio, não conseguiu gerar riquezas suficientes para pagar esses módicos juros seria como admitir seu absoluto fracasso financeiro e/ou a demêncial irracionalidade dos pressupostos do capitalismo.

Tais questões metafísicas, desde já, não nos inquietam aos índo-americanos.

Porém exigimos a assinatura de uma carta de intenções que discipline aos povos devedores do Velho Continentes e que os obrigue a cumpri-la, sob pena de uma privatização ou conversão da Europa, de forma que lhes permita nos entregá-la inteira como primeira prestação da dívida histórica."

Quando terminou seu discurso diante dos Chefes de Estado da Comunidade Europeia, o Cacique Guaicaipuro Cuatemoc, nem sabia que estava expondo uma tese de Direito Internacional para determinar a Verdadeira Dívida Externa.

Agora só resta que algum Governo Latino Americano tenha a dignidade suficiente para impor seus direitos perante os Tribunais Internacionais. Os europeus ali reunidos devem ter percebido que nesse tempo de globalização e tecnologia, índio já não quer mais apito, quer que lhe paguem o devido, com juros.

Se tem amigos honestos, faça-os conhecer este discurso. Eles tambem têm sido vendidos."