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sexta-feira, 15 de julho de 2011

LUTO

http://bocabymm.blogspot.com/2011/07/brasil-iii.html#comments

Não deixem de ler esse link. É do Manolo Mattos, de Campos do Jordão, meu amigo.
"Luto" é um texto importante. Fala de você, de mim, de todos nós.

Eu não tô querendo fazer um motim nacional. Não quero criar um movimento revolucionário contra o poder instituído pelo povo.
Mas com certeza, como parte de ser brasileira, parte do "povo", tenho o direito constitucional de reclamar, opinar, pedir e blogar.

Posto aqui 3 imagens que vieram do "povo" lá de Jaraguá do Sul, uma cidade linda. Já fui lá algumas vezes. Só não tem restaurante aberto depois das 13h. Nunca cheguem em Jaraguá do Sul com fome, depois do "horário do almoço".
Mas brincadeiras á parte, lá vão as fotos.




Se cada célula deste corpo "gigante pela própria Natureza" chamado "povo" colocar um protesto na cara, na blusa, no carro, no blog... o mundo pode mudar.
Nosso Gigante pode ficar mais agitado, com certeza, mas pode gostar desta agitação. Pode gostar das mudanças.
Tudo bem..eu NÃO acredito em Papai Noel, MAS acredito no Espírito Natalino.
Eu NÃO acredito em Coelho da Páscoa, MAS acredito no repartir do pão (ou do chocolate).
Eu NÃO acredito em cegonha, MAS acredito na liberdade, na escolha, na vida.

Se eu perder minhas crenças, perco minha vida bestamente.


Quando alguém sumir de sua vida

Hoje eu falava com uma amiga sobre "perder" alguém importante na minha vida. Seja familiar, seja amigo, seja amor. 
E por estas coincidências da vida, achei um texto do Osho.


"De verdade, esse momento é significante. Sempre quando alguém "morre", alguém com quem você esteve profundamente relacionado, alguém com quem você esteve muito íntimo, alguém com quem você foi muito feliz ou infeliz, triste e zangado, alguém com quem você conheceu todas as estações da vida e alguém que de algum modo tornou-se parte de você e você tornou-se parte dele ou dela – quando alguém assim morre, não é apenas uma morte que ocorre exteriormente, é uma morte que ocorre dentro também.

Ela estava possuindo uma parte de seu ser, então quando ela morre, essa parte em seu ser também morre. Ela estava preenchendo algo em você. Ela desaparece e ficam os ferimentos.

Temos muitos furos em nosso ser. Devido a esses furos procuramos a companhia do outro, o amor do outro. Pela presença do outro nós, de alguma maneira, conseguimos preencher esses furos. Quando o outro desaparece, esses furos estão lá novamente... escancarando abismos.

Você pode ter esquecido deles, mas você os sentirá. Então use esses momentos para uma profunda meditação porque mais cedo ou mais tarde esses furos serão preenchidos novamente. Esses furos irão desaparecer novamente. Antes que isso aconteça é bom penetrar nesses furos,penetrar nessa vacuidade que ela deixará para trás.

Então use esses momentos. Sente-se silenciosamente, feche seus olhos, vá para dentro. E apenas veja o que aconteceu. Não pense sobre o futuro, não pense sobre o passado. Não vá para as memórias porque isso é fútil. Apenas vá para dentro.

Que aconteceu a você? Ela está morta; agora que aconteceu a você? Que está acontecendo com você? Apenas mergulhe nesse processo. Isso irá revelar muitas coisas em você. Você será completamente transformado se você puder penetrar nesses furos. Você não irá tentar preenchê-los novamente, mas você ainda pode amar.

A pessoa pode amar sem de maneira nenhuma levar o outro para dentro e preencher alguma profunda necessidade lá. A gente pode amar como um luxo... porque a gente precisa repartir e a gente quer repartir. Assim o amor não é mais uma necessidade; você não está ocultando suas mágoas atrás dele.

Então penetre nessas mágoas, penetre nessa vacuidade, penetre nessa ausência, e observe – isso é uma coisa.

A segunda coisa: lembre-se que a vida é realmente efêmera, passa rapidamente... tão momentânea. Vivemos num mundo mágico. Nós vamos iludindo a nós mesmos. De novo a ilusão desaparece. De novo a surge realidade. De novo alguém morre e você é lembrado que a vida não é confiável, que a pessoa não deve depender demais da vida. Num momento ela está presente, em outro momento ela se vai.

É uma bolha de sabão – apenas uma pequena alfinetada e ela se vai. Na verdade, quanto mais você entende a vida, mais cheio de admiração você fica sobre como isso existe. Desse modo a morte não é o problema; a vida se torna o problema. A morte parece natural.

É um milagre que a vida exista – tal coisa temporária, tal coisa momentânea. E não somente ela existe, pessoas confiam nela. Pessoas dependem dela, pessoas contam com ela. Eles colocam todo o ser deles aos pés dela – e é só uma ilusão, um sonho.

A qualquer momento se vai e a pessoa fica chorando. Com a sua ida todo o esforço, todo o sacrifício que você fez por ela. Subitamente tudo desaparece. Então observe isso – essa vida ilusória como um sonho, momentâneo.

E a morte está vindo para todo mundo. Estamos todos de pé na fila, e a fila estácontinuamente chegando mais perto da morte. Ela desaparece; a fila fica um pouco menor. Ela abriu espaço para mais uma pessoa. Toda pessoa que morre lhe traz para mais perto da sua própria morte, assim toda morte é basicamente sua morte.

Em cada morte a pessoa está morrendo e chegando mais perto de uma parada completa. Antes que isso aconteça, a pessoa precisa ficar tão cônscia quanto possível.

Se confiarmos demais na vida, tendemos a ficar inconscientes. Se começarmos a duvidar da vida – essa assim chamada vida que sempre acaba na morte – então nos tornamos mais cônscios. E nessa consciência um novo tipo de vida começa, suas portas se abrem – a vida que é imortal, a vida que é eterna, a vida que está além do tempo".


Osho, em "The Passion for the Impossible"
Fonte: Osho.com

Entrar no peito.
De novo e sempre o melhor caminho para crescer.

Eu acredito na vida que é eterna.
E quando esse alguém que se for, e fizer parte deste eterno, entrar no peito dá aquela calma de que iremos nos reencontrar, em algum lugar no futuro.

Portia Nelson

Adoro ver as voltas que o mundo dá.
Dias destes fui numa livraria famosa, destas grandes, com sofás para leitura, coffeshop, palestras.
E foi numa destas palestras que eu ouvi falar sobre Portia Nelson. Verdade seja dita, o homem que dava a palestra não preparou bem nem a dita cuja, nem o livro que ele havia escrito e que servia de base para a dita cuja.
Num despreparo absurdo de encontrar nos dias de hoje, anunciou que não sabia quem era Portia Nelson e nem tinha tido a curiosidade de saber quem era, mas que havia, um dia, lido um poema dela e que gostara muito. Acabou colocando o poema no livro por ele escrito.
Nos dias de hoje, de internet e informação á distancia de um botão, é mesmo muito feio escrever algo sobre alguém e nem se dar ao "trabalho" de saber quem é esse alguém...bom, deixando o erro do homem em questão, fui atrás de informações sobre ela.

E ai, nas voltas do mundo, eu mudo de assunto, e lembro como o tempo passa depressa. Vendo a foto dela na internet, lembro do filme "A noviça rebelde". Uma das freiras "legais" do convento da Maria.

Na vida real, poetisa, atriz, cantora norte-americana. Morreu em 6 de março de 2001.

O poema dela, que o desavisado escritor colocou no seu livro, eu o coloco aqui no meu blog. O leitor vai poder digitar o nome dela no Google e saber mais a respeito.
Penso, ao ler Portia Nelson, as armadilhas que criamos para nós mesmos, fugindo da verdade que esta dentro de nós. Nossa verdade. Linda verdade. Seja ela sobre nossos defeitos ou nossas qualidades, a verdade interior será sempre nosso tesouro. É cara a cara com ela, que nos conhecemos, nos revemos, abrimos nossa mente e nosso coração.
Culpamos os outros, responsabilizamos pessoas que estão do lado de fora de nós mesmos.
Somos Deuses, Co-Criadores de nosso destino. Ao colocarmos a força de nossa vida nas mãos de outrem, roubamos nosso próprio tesouro: nossa liberdade de escolha, e ao escolher, nossa liberdade de agir.

Autobiografia em 5 capítulos

Autobiografia em 5 capítulos

1) Ando pela rua . Há um buraco fundo na calçada . Eu caio 
Estou perdido... sem esperança. Não é culpa minha. 
Levo muito tempo para encontrar a saída. 
  
2) Ando pela mesma rua. Há um buraco fundo na calçada 
Mas finjo não vê-lo. Caio nele de novo. 
Não posso acreditar que estou no mesmo lugar. Mas não é culpa minha. 
Ainda assim levo um tempão para sair. 
  
3) Ando pela mesma rua. Há um buraco fundo na calçada. Vejo que ele ali está 
Ainda assim caio... é um hábito. Meus olhos se abrem. Sei onde estou 
É minha culpa. Saio imediatamente. 
  
4) Ando pela mesma rua. Há um buraco fundo na calçada. 
Dou a volta. 
  
5) Ando por outra rua. 


Amigo

Passei pelo blog do Boca MM e relí "Precisa-se de um amigo", do Vinícius de Moraes.
Devo confessar, ainda que com certo receio de ser taxada disso ou daquilo, que não gosto muito da pessoa do Poeta. Mas reconheço que falo sem ter conhecido o mesmo pessoalmente.
Talvez puro preconceito.
O certo é que, separando a pessoa do poeta, leio encantada certos versos, sejam falados ou cantados, que movimentam minha mente, meu coração, balançando sentimentos e instituições internas.

"Precisa-se de um amigo", com certeza, é um destes casos.

Coloco aqui, imitando meu amigo MM.
Acho que nem um nem outro reclamarão da minha ousadia em reproduzir aqui o belo texto sobre o "amigo", aquela figura que vale ouro quando encontramos na vida, seja este amigo um amor, um companheiro, um filho...afinal, basta ser humano.



Procura-se um Amigo
Não precisa ser homem, basta ser humano, basta ter sentimentos, basta ter coração. Precisa saber falar e calar, sobretudo saber ouvir. Tem que gostar de poesia, de madrugada, de pássaro, de sol, da lua, do canto, dos ventos e das canções da brisa. Deve ter amor, um grande amor por alguém, ou então sentir falta de não ter esse amor.. Deve amar o próximo e respeitar a dor que os passantes levam consigo. Deve guardar segredo sem se sacrificar.     Não é preciso que seja de primeira mão, nem é imprescindível que seja de segunda mão. Pode já ter sido enganado, pois todos os amigos são enganados. Não é preciso que seja puro, nem que seja todo impuro, mas não deve ser vulgar. Deve ter um ideal e medo de perdê-lo e, no caso de assim não ser, deve sentir o grande vácuo que isso deixa. Tem que ter ressonâncias humanas, seu principal objetivo deve ser o de amigo. Deve sentir pena das pessoa tristes e compreender o imenso vazio dos solitários. Deve gostar de crianças e lastimar as que não puderam nascer.
     Procura-se um amigo para gostar dos mesmos gostos, que se comova, quando chamado de amigo. Que saiba conversar de coisas simples, de orvalhos, de grandes chuvas e das recordações de infância. Precisa-se de um amigo para não se enlouquecer, para contar o que se viu de belo e triste durante o dia, dos anseios e das realizações, dos sonhos e da realidade. Deve gostar de ruas desertas, de poças de água e de caminhos molhados, de beira de estrada, de mato depois da chuva, de se deitar no capim.
     Precisa-se de um amigo que diga que vale a pena viver, não porque a vida é bela, mas porque já se tem um amigo. Precisa-se de um amigo para se parar de chorar. Para não se viver debruçado no passado em busca de memórias perdidas. Que nos bata nos ombros sorrindo ou chorando, mas que nos chame de amigo, para ter-se a consciência de que ainda se vive.
Vinícius de Moraes


Certo??
Beijão de amiga.

domingo, 15 de maio de 2011

seres alados


Saí estes dias para dar aula e quando voltei já era noite. Vi que havia deixado as janelas abertas, como sempre, mas desta vez esquecera a luz acesa. E isso quer dizer que meu quarto/sala deveria estar cheio de monstrinhos alados. E foi o que eu encontrei: dezenas de seres voadores, de vários tamanhos, cores, aspectos. Que droga. Estava cansada e tudo aquilo ainda para lidar. E varrer a casa aqui na roça não começa no chão. Começa nas paredes e teto. Varrer olhando pra baixo só não adianta. Fica coisa importante pra varrer, como pequenas borboletas que ficam com suas pequenas patas presas em minúsculas entrâncias nas paredes. Não dá pra ver, mas elas ficam presas por toda a parte, morrendo grudadas ali. Algumas ainda vivas se debatendo em teias, escondidas nos cantos das paredes, tecidas do dia para a noite. Fico com medo das aranhas por causa do aspecto de algumas, nada que lembre Shelob, é claro, embora minha mente não dê muita importância pra isso. Aranhas com grandes símbolos vermelhos na barriga gigante me dão medo colossal.
Um destes seres alados era tão grande que arrastava os potes de água dos gatos, fazendo um barulho nervoso das asas batendo sem conseguir mais levantar vôo, cansada. Confesso que não tirei esta borboletona. Ficou pela casa. Acho que descansou um pouco e saiu voando, finalmente, para ser apanhada numa teia. Encontrei a tal borboleta presa e morta numa teia bem no canto do meu Box. Putz. A aranha até que era pequenina em relação á presa morta e grudada na teia.
Fui para cama cansada naquela noite.
Na roça não tenho rádio nem televisão, e as notícias chegam pela boca de amigos que contam, cada um do seu jeito, sobre o que vai acontecendo no mundo.
Ela chegou com a família pra me visitar, e foi contando que o tal do Bin Laden tinha morrido. Falou dos americanos que entraram na casona dele, de helicópteros. Disse que os EUA estavam em festa. Parei de mexer nas plantas pra ficar ouvindo a amiga contar a notícia, num tom apocalíptico, muito usado por aqui ultimamente. Umas amigas até me procuraram para pedir aulas de vela. Querem aprender a fazer velas com cera de abelha, que segundo dizem, será a única luz vista no fim dos tempos, já que parafina não haverá por falta de petróleo,sem energia e nem árvore para todo mundo. Serão vistas, nas noites pós-apocalipse, velas feitas com cera de abelha e tão somente isso.
Fala-se muito em fim dos tempos aqui na roça. Em cada canto da cidade tem alguém num grupo comentando sobre a terceira revelação de Fátima, sobre grupos de pessoas empenhadas em assegurar lugares mais afastados das áreas de provável destruição, construindo templos e casas na esperança de tempos melhores na fase crucial de mudança do planeta. Religiões atestam com veemência das coisas finais, dizendo sua própria interpretação do livro de João, recebido na prisão, na ilha de Patmos, há 2 mil anos atrás. Dizem que por estar absolutamente só, João falava com os peixes, que pulavam para fora d’água, querendo escutá-lo melhor. Dizem também que todos os soldados romanos, escalados para a escolta na ilha (era um por ano) voltaram cristianizados por ele. Acredito que deveria ser demais mesmo, ficar um ano com João numa ilha isolada do mundo. Alguém que escreve O Apocalipse daquela forma deveria ser uma pessoa especial de qualquer forma. “E no início era o Verbo, e o Verbo se fez carne e habitou entre nós.” Isso me lembra tanto o Mestre Tolkien. A sua Gênese, com o som como Principio Criador. Acho demais. Arrepia os cabelos da nuca, faz remeter ao Cosmos, ao Princípio de tudo, e aí, neste Universo gigante, olhar nosso lindo planeta azul dessa distância, fica simples o dilema do final dos tempos. Somos tão pequeninos, e isso de acabar em grandes águas e fogos é tão galático, é tão universal. Em toda a parte do Universo, planetas se criam e se transformam pelas forças naturais que movimentam este infinito balé. Somos seres insignificantes navegando no Universo na nau Terra, azul e linda, Mãe de São Francisco e Hitler, minha Mãe linda, Terra amada.
É bom andar com pés descalços, lembrando que ela esta lá, viva, embaixo e por toda parte.
E se houver batalhas entre os homens, pequenos ainda em Amor e Compreensão, bem, eu estarei aqui, fazendo meu melhor todo dia. Compreendendo que sou ligada a cada um de vocês, por fios invisíveis que tecem nossa existência. E sou ligada á Bin Laden, e a cada um daqueles soldados, seja de que lado for que estejam protegendo com suas vidas mortais. Eu sou ligada a cada ser que transita no orbe Terra, irmãos de jornada.
Faço minha parte pequena, mas necessária, assim como a sua, e a daquele outro, e a de todos juntos. Esta é a Lei.
De novo, o Mestre Tolkien fala que na grande batalha entre o bem e o mal, cada pequeno ser tem enorme importância. Desde Gandalf e os reis até as borboletas, todos somaram um exército só. E assim vencemos a guerra, juntos. Mas a guerra do Espírito é diferente da guerra dos homens. Juntos na Guerra do Espírito pela Evolução.
E ai talvez, a palavra “guerra” possa ser substituída por outra, como “conquista”, como “degrau”, algo que nos eleve a alma e nos mostre que somos verbos criadores também, feitos á imagem e semelhança de tudo o que vive no Universo.

sábado, 9 de abril de 2011

O Dalai Lama na roça

Acordei cedo. Hoje era dia de viajar pra cidade grande, pra ver meu paizinho e comemorar o aniver da minha irmã..
Dia lindo, sol desde cedo, manhã cheia de névoa no vale. O sol vai chegando mansinho, limpando as nuvens das montanhas.

Meus cães estavam no alvoroço. Alguém chegando de carro.
Desce Zenith e Denise, duas amigas lindas, dois sóis estacionando de fusca na minha casa.

Iam viajar para Campos do Jordão, pra ver o Dalai Lama. São amigas pessoais do Dalai Lama, que está no Brasil, em Campos, logo alí do lado. Vão passar uns dias com o nobre e elevado amigo, que veio receber a doação de uma fazenda para nova igreja budista.

Depois que elas se foram, recolhi minha roupa que eu lavei há dois dias atrás.

Limpei o pipicat e fui enterrar os cocôs dos gatos lá fora, e aproveitei e dei a maior bronca na minha cadela, Zica Cuíca que desenterra os cocôs e come tudo. Nojenta, fica com aquela língua marrom e fedorenta, querendo me lamber de amor.

Cuidei dos animais, da casa..de mim.

Deixei janela aberta, guardei minhas tranqueiras no carro, não esqueci nada?

Fico com o Dalai Lama na mente durante minha viagem pra big city.

Mais paz, menos guerra.
Mais amor, menos ódio.
Mais vida, menos morte.

Vida e saúde pra Indiazinha, minha querida amiga, que aos 25 sofreu um derrame, e esta internada.

Paz e amor pro Malúa, companheiro da indiazinha, muita força irmão querido.

Paz pra todo mundo.
Não custa nada.
Custa?

Quando eu morrer..

Eu,Talira, deixo meu testamento claro aqui:Sou doadora de órgãos.
Meus rins, eu deixo para Daniel Pereira Giraldeli(29), meu ex-enteado, que não tem rins desde os 13 anos. Faz hemodiálise 3 vezes por semana, e enfrenta a morte todos os dias.
O resto, deixo pra quem precisar..vai tudo.
Meus olhos, que eu amo ver..quero que outra pessoa possa ver as mesmas coisas que eu vejo com minhas retinas.
Minha pele vai para queimados, que tiveram sua pele destruída pelo alcool, gasolina. Trabalhei num escritório, onde meu vizinho de mesa sofreu um acidente de avião, caiu na floresta amazônica e queimou o rosto. Andou 3 dias na mata até ser encontrado.
Meu coração vai pra quem quer amar, sofrer de amor, viver a vida apaixonadamente.
Fígado pra quem quer morrer velho, embriagado mas de tesão, pela vida, pela natureza, pelos animais.
Vou doar tudo.
Da minha vida, quero levar só lembranças.
Boas.
Eternas.

domingo, 27 de março de 2011


Estes dias eu revi o Filme "O óleo de Lorenzo".
Adoro Susan Sarandon. Gosto de quase todos os filmes que ela faz. Gosto da pessoa dela, da imagem ruiva na tela.Nick Nolte também é um ótimo ator.

Posso dizer, sem medo de errar, que os dois garantem um bom filme.
Mas saber que os personagens são reais, e que a vida alí retratada em dolby system é vivida no mesmo mundo que o meu, e não de um imundo imaginário, irreal.

Me fez pensar na força do amor entre pais e filhos, na força do ódio entre pai e filhos. Não saberia dizer qual o mais forte, mas certamente posso dizer qual o que faz milagres.

Eu nunca tive filhos. Desde minha infância, reclamo com a vida da obrigatoriedade de parir um ser, e cuidar dele, e zelar pela sua educação e boa conduta moral e espiritual. Por não me sentir capaz de realizar tal intento, ou por achar que o planeta já tem gente demais, pouca água, pouco espaço, sei lá. Não quis viver esta missão.

Missão, por motivos óbvios. Filhos são para a vida toda. Amigos, parentes, companheiros, podemos ter vários durante um espaço de vida. Mas filhos, carregamos em nossa alma para sempre, e se vida houver depois da morte, até lá eles estarão nos corações de pais e mães.

Mães que perdem filhos sabem que a dor caminha lado a lado com elas. Conheci algumas mulheres assim. Mesmo no riso franco, a dor pode ser vista nos olhos que não brilham com a mesma intensidade, nos cabelos que ficaram opacos e brancos mais cedo.

Elas eu não vejo mais, estão vivendo suas vidas, como todos. Mas eu tenho seus semblantes e suas estórias firmes dentro de mim.

Nunca me senti capaz de viver tamanha intensidade de dor, ou de alegria. Sei lá.

Vendo o filme, pensei logo na família Odone. Quis saber quem eles eram. Olhei algumas fotos na internet e me envergonhei da pesquisa.
Eu não precisava fazer aquilo. Naqueles rostos risonhos da foto, eu sabia, viviam intensas emoções. Nos olhos do menino, projetei meus próprios temores, alegrias.

A lição que eles dão já foi apresentada ao público. O aprendizado disso é por nossa conta.
Dia 30 de maio de 2008 Lorenzo morreu, 30 anos depois de ter "morrido".

A vida é divina, que acontece na natureza como algo ainda inexplicável. Vai continuar assim, até depois da morte.

E viver bem, com alegria e paz, é uma tarefa que devo realizar com sabedoria.
Não reclamar.
Fazer uma coisa nova por dia.
Aprender uma nova língua.
Fazer novos amigos.
Recuperar velhos amigos.
Plantar.
Escutar mais.
Viver plenamente.

Verdade, o agora e Hemoterapia


Não tem jeito.
Verdade é verdade.
Realidade é relativa, assim como tudo, depois da Física Quântica.
Eu já vi milhares de vezes a verdade de um fato ser pintada de várias cores, algumas até que não tinham nada a ver com a situação.
Tudo que me serve pode não servir para meu companheiro.
Tem tratamentos que ajudam determinadas pessoas, e outras não.

Tem gente que gosta de alcachofra, outros não.
E assim, é a lente dos olhos.
Dependendo de nosso humor, de como acordamos naquele dia, podemos ver a cena com cores fortes ou fracas.
"Não, não foi bem assim. Ele brecou em cima, mas brecou. Deu tudo certo. Foi uma batidinha de nada. Na borracha, viu??".

Na roça também. Uma cobra andando no mato pode ser nada pra quem já viu, ou pode significar um acontecimento selvagem de grande vulto, principalmente para quem vive na cidade e nunca viu uma vaca de perto.

Quem nunca viu uma vaca de perto, perdeu os cílios mais longos e os olhos mais mansos do mundo, numa tarde sonolenta debaixo de uma árvore.

Mesmo já sabendo de tudo isso, ainda me agrado muito com os sons da mata, principalmente á noite. Sons diferentes dos de dia. Pássaros noturnos, mágicos e misteriosos. Os cães agitados, correndo pela lateral da casa.

Meus gatos levantam as orelhas, e se viram com olhos arregalados na direção dos sons. Eu paro por segundos de respirar.

Como não sei que pássaros são (pois não conheço nada do assunto), fico brincando que são dragões e harpias, unicórnios e seres estranhos. Ás vezes, são elfos que de tão silenciosos, não deixam rastros nenhum de ruído. Tem noite assim, de silenciosa escuridão. Ás vezes, saio na varanda cheia de insetos para ver se vislumbro algo na noite.

Misturo minha realidade á fantasia, sabendo que, de tanto acreditar, não são mais fantasia. Mas eu não sou louca, não.

Mesmo minha realidade fantástica não tira de mim o prazer enorme de ver a vida como ela é.

Aqui na roça, eu aprendo isso, entre muitas outras coisas. Ver a vida como ela é, viver no agora.
Vai andar por lá sem prestar atenção no chão, nos galhos... no que esta fazendo. Roçar sem estar "presente" pode ser bem perigoso, tanto para quem roça quanto para as árvores, que devem gemer de medo.

E, mesmo quando tudo parece que não vai dar certo, parar e crer que vai passar e um novo segundo vai aparecer para uma nova chance de mudar meu destino.

Eu comecei a fazer hemoterapia, aqui na roça mesmo. Faz parte das minhas crenças de que algo muito bom pode acontecer quando se segue a sincronicidade.

Vamos ver. Vou postar por aqui de vez em quando falando disso. Acho que vale a pena tentar.

Tudo vale a pena quando a alma não é pequena.
:)

A noite do acidente em Cocoon


Eu era adolescente. Minha irmã mais nova e eu íamos, nas férias, com nossos pais, numa cidade do interior, perto de Minas Gerais, que eu chamava de Cocoon, por causa do filme Cocoon, onde velhos num asilo encontravam ovos de ETs dentro de uma piscina e tomando e freqüentando aquelas águas, eles rejuvenesciam.
[IMG]http://images.quebarato.com.br/T440x/dvd+exclusivo+cocoon+1+e+2+dublados+com+frete+e+capa+gratis+sao+jose+dos+pinhais+pr+brasil__2B6DD4_1.jpg[/IMG]
Esta cidade me dava a mesma sensação. Muitas pessoas idosas vão ainda lá, em busca dos efeitos milagrosos das águas mornas ou sulforosas que saem da terra e se derramam nos copinhos coloridos, vendidos lá dentro do complexo.
Quando menor, minha irmã e eu adorávamos o local. Cheio de águas, piscinas deliciosas de freqüentar. Aos poucos fomos crescendo e o local ficou velho e manjado. Com as mesmas idosas pessoas em toda parte.
Tínhamos um pequeno apartamento nesta cidade, comprado por meu pai, no sonho de, na velhice deles, morarem em Cocoon. Com a morte prematura de minha mãe, o sonho se desfez e o apartamento foi vendido.
Mas, na estória que vou contar, real, ainda tínhamos o apartamento, e minha irmã e eu estávamos em nosso quarto, já nos preparando para dormir. A luz do quarto estava apagada e falávamos sobre besteiras, quando ouvimos um pequeno avião passar pelos céus da cidade. Lá isso é comum.
Incomum foi minha reação diante do fato: me sentei na cama e disse para minha irmã: Paulinha, os dois moços que estão dentro deste monomotor vão bater e morrer, bem perto da área de pouso, que é para onde eles estão indo.
Minha irmã ficou muda. Ela e eu fizemos um pensamento de luz e paz para o avião, rezamos e dormimos.
No dia seguinte. Minha mãe levou a família toda para uma cidade vizinha, onde fomos ver roupas e outras tranqueiras, fruto do artesanato local.  Sempre fazíamos isso. Paula e eu fomos nos distanciando, entrando em outras lojas, quando ouvimos os sinos da igreja matriz tocarem muitas vezes, fora da hora.
Paula perguntou numa loja o que a igreja anunciava, e a lojista nos disse que o filho do prefeito (ou algum político da região) e seu primo haviam morrido num acidente de avião, naquela noite passada. A igreja anunciava a morte dos dois jovens.
Nunca mais me esqueci disso. Como e por que aconteceu, eu não sei.
Passei a respeitar mais assuntos como intuição, energias, e respeito pela vida, sem dúvida, o melhor e maior bem de todos nós.