segunda-feira, 31 de dezembro de 2012
domingo, 30 de dezembro de 2012
EU em 2013
Tenho poucos amigos.
Acho até que não tenho ninguém que me conheça melhor do que eu mesma.
Isso quer dizer que, dentro do meu círculo de amigos escolhidos para compartilhar o caminho da vida comigo, eu sou a minha melhor amiga.
Dentre todos os motivos que eu tenho para agir assim ou assado, somente eu conheço todos eles (os motivos, é claro), e quando não, sei que aos poucos as escamas de meus olhos vão cair e eu vou conhecer todos os reais motivos por esta ou aquela escolha.
Tive amigos(poucos) que me ajudaram a tirar as escamas de meus olhos. Entre os vários motivos que justificam termos amigos tão diferentes de nós é justamente essa ajuda inestimável de nos vermos como somos de verdade, através deles.
Temos amigos que escondem suas dores, escondem suas verdades, escondem sua vida e compartilham apenas as coisas boas, como se fosse pecado ou algo ruim compartilhar as coisas tristes e ruins do mundo, da vida. Mas ai não seriamos amigos, não é mesmo?? Pernetas da vida. Só risos, só alegria, só superfície lisa e dura, sem calor. Mas não é bem assim. Eu também tenho meus segredos, minhas bolhas de Consciência Pura, sem contato com o exterior! Mas mesmo no secreto, no escuro, somos amigos. Não houve troca?? Claro que sim, claro que houve: eu respeitei teu espaço sagrado, assim como espero o mesmo respeito para com meu espaço sagrado, interior e exterior á tudo.
É isso o que eu quero: amigos que vejam meu ser como ele é, com seus erros e acertos e ainda assim, depois de todo revelado (ou não), ainda assim, esse amigo vai levantar da cadeira e me convidar para uma pizza. "-Você não esta com uma fome incrível??"
Se eu não tiver um amigo assim é porque eu não procurei com vontade, não é mesmo??
É isso o que eu quero para mim em 2013: me amar, me conhecer, me respeitar como eu sou ou como eu estou, respeitar minha risada, meu jeito de responder aos problemas (ainda que depois da resposta eu procure uma forma nova de viver tudo aquilo)...quero mudar aquilo que realmente me incomoda ao invés de mudar aquilo que incomoda outra pessoa. Quero respeito pelo modo de viver, pelas minhas escolhas, por meu jeito ser desta forma e não da outra.
Quero ser o que eu sou, sem medo de rejeição. Só assim poderei mudar o que eu quero mudar...e manter o que eu quero manter...
Não posso pensar em nada melhor para fazer do que ser eu mesma, inteira, em 2013.
Se eu não estiver forte em meu íntimo, se eu não for um ser repleto de forças e defeitos, então eu não poderei nada mais.
Eu quero ser feliz comigo em 2013.
Se ser amigo é gostar do irmão como ele é, então eu quero isso para mim: alguém que me ame e respeite EXATAMENTE do jeito como eu estou: inteira e verdadeira em cada gritinho, em cada exagero de sentimentos, de voz...
Gostar de Tolkien e achar elfos e gnomos pela mata...
Falar alto..soltar sons estranhos quando uma borboleta se enfia em meus ouvidos...
Gritar quando tenho medo ou levo um susto...
Ficar um bom tempo sem falar..
Não gostar de gente grossa e estúpida..Ser grossa e estúpida..
Não ficar em lugares onde não sou reconhecida como igual...
Não gostar de gente que não gosta de mim se isso for meu sentimento mais forte.
Gostar de gente só porque meu ser gosta deles, assim como gostam de quem gostam só porque seus seres se tentem felizes com eles.
TER O MESMO DIREITO.
Falar e ser ouvida..
Amar e respeitar cada vez mais para que eu seja AMADA E RESPEITADA, por mim mesma..nunca pelos outros...
Em 2013, EU SEREI eu.
E, não posso desejar nada melhor para você do que seu ser seja ele mesmo.
Desejar que você tenha aquilo tudo que você lutou para ter...
Desejar que seus amigos sejam aqueles que você escolheu para seguirem com você pelo tempo que você quiser que eles estejam de seu lado...
Que sua saúde seja aquela que você conquistou com as comidas que você fez,do jeito que você queria fazer, tomando conta de seu ser como UM SER ESPECIAL que ele realmente é.
Desejar que sua família seja aquela que você escolheu, tenha ligação de sangue ou não.
EU em 2013: amada, respeitada..inteira.
Tudo de bom, né??
Acho até que não tenho ninguém que me conheça melhor do que eu mesma.
Isso quer dizer que, dentro do meu círculo de amigos escolhidos para compartilhar o caminho da vida comigo, eu sou a minha melhor amiga.
Dentre todos os motivos que eu tenho para agir assim ou assado, somente eu conheço todos eles (os motivos, é claro), e quando não, sei que aos poucos as escamas de meus olhos vão cair e eu vou conhecer todos os reais motivos por esta ou aquela escolha.
Tive amigos(poucos) que me ajudaram a tirar as escamas de meus olhos. Entre os vários motivos que justificam termos amigos tão diferentes de nós é justamente essa ajuda inestimável de nos vermos como somos de verdade, através deles.
Temos amigos que escondem suas dores, escondem suas verdades, escondem sua vida e compartilham apenas as coisas boas, como se fosse pecado ou algo ruim compartilhar as coisas tristes e ruins do mundo, da vida. Mas ai não seriamos amigos, não é mesmo?? Pernetas da vida. Só risos, só alegria, só superfície lisa e dura, sem calor. Mas não é bem assim. Eu também tenho meus segredos, minhas bolhas de Consciência Pura, sem contato com o exterior! Mas mesmo no secreto, no escuro, somos amigos. Não houve troca?? Claro que sim, claro que houve: eu respeitei teu espaço sagrado, assim como espero o mesmo respeito para com meu espaço sagrado, interior e exterior á tudo.
É isso o que eu quero: amigos que vejam meu ser como ele é, com seus erros e acertos e ainda assim, depois de todo revelado (ou não), ainda assim, esse amigo vai levantar da cadeira e me convidar para uma pizza. "-Você não esta com uma fome incrível??"
Se eu não tiver um amigo assim é porque eu não procurei com vontade, não é mesmo??
É isso o que eu quero para mim em 2013: me amar, me conhecer, me respeitar como eu sou ou como eu estou, respeitar minha risada, meu jeito de responder aos problemas (ainda que depois da resposta eu procure uma forma nova de viver tudo aquilo)...quero mudar aquilo que realmente me incomoda ao invés de mudar aquilo que incomoda outra pessoa. Quero respeito pelo modo de viver, pelas minhas escolhas, por meu jeito ser desta forma e não da outra.
Quero ser o que eu sou, sem medo de rejeição. Só assim poderei mudar o que eu quero mudar...e manter o que eu quero manter...
Não posso pensar em nada melhor para fazer do que ser eu mesma, inteira, em 2013.
Se eu não estiver forte em meu íntimo, se eu não for um ser repleto de forças e defeitos, então eu não poderei nada mais.
Eu quero ser feliz comigo em 2013.
Se ser amigo é gostar do irmão como ele é, então eu quero isso para mim: alguém que me ame e respeite EXATAMENTE do jeito como eu estou: inteira e verdadeira em cada gritinho, em cada exagero de sentimentos, de voz...
Gostar de Tolkien e achar elfos e gnomos pela mata...
Falar alto..soltar sons estranhos quando uma borboleta se enfia em meus ouvidos...
Gritar quando tenho medo ou levo um susto...
Ficar um bom tempo sem falar..
Não gostar de gente grossa e estúpida..Ser grossa e estúpida..
Não ficar em lugares onde não sou reconhecida como igual...
Não gostar de gente que não gosta de mim se isso for meu sentimento mais forte.
Gostar de gente só porque meu ser gosta deles, assim como gostam de quem gostam só porque seus seres se tentem felizes com eles.
TER O MESMO DIREITO.
Falar e ser ouvida..
Amar e respeitar cada vez mais para que eu seja AMADA E RESPEITADA, por mim mesma..nunca pelos outros...
Em 2013, EU SEREI eu.
E, não posso desejar nada melhor para você do que seu ser seja ele mesmo.
Desejar que você tenha aquilo tudo que você lutou para ter...
Desejar que seus amigos sejam aqueles que você escolheu para seguirem com você pelo tempo que você quiser que eles estejam de seu lado...
Que sua saúde seja aquela que você conquistou com as comidas que você fez,do jeito que você queria fazer, tomando conta de seu ser como UM SER ESPECIAL que ele realmente é.
Desejar que sua família seja aquela que você escolheu, tenha ligação de sangue ou não.
EU em 2013: amada, respeitada..inteira.
Tudo de bom, né??
sexta-feira, 28 de dezembro de 2012
Memória - Método de Loci
Sou péssima com os guardados na caixa pensante do corpo.
Deixo as coisas fora das gavetas mentais, e ai, quando vou guardá-las para que novas tomem seu lugar, eu já não sei mais á que andar pertencem.
Confuso?
Dito de outro jeito: minhas memorias estão tão bagunçadas que eu não consigo lembrar de muita coisa.
Mas já percebi, faz um bom tempo, que minha memória é mais facilmente acessada pela fotografia da cena.
Esse "jeito" de lembrar não é novidade para ninguém.
Reza a lenda que vem da Grécia Antiga, através do poeta Simonides.
Ele foi chamado, certa feita, para recitar seu trabalho num baquete, (de algum magnata greco, do ramo de petróleo, talvez). Foi contratado para declamar seus poemas.
Na digressão básica de sempre, não seria ótimo voltar esta prática tão linda? Declamar numa festa. Falo isso porque fui agraciada, certa feita, numa festa dada aqui em casa, com artistas, amigos.... Ufa! Foi uma ótima festa, com declamações, música e dança. Ás seis da manhã, na despedida dos últimos artistas, ganhamos mais um poema.
Falando em poema, o tal Simonides foi ao banquete e, vai se saber porque ele saiu da festa, o que importa é que este Simonides é o cara mais sortudo do mundo, pois um pouco depois dele sair da sala, o teto desabou sobre os presentes.
A construção desabando por todos, deixou os corpos mutilados, amassados, e irreconhecíveis para seus parentes. Afinal, ainda não havia o teste de DNA, não é?
Então tá. Aí foi que alguém pediu para o Simonides se lembrar de quem estava sentado onde.
Assim nasceu o Método de LOCI: associar coisas ou pessoas com um lugar...
Usar "primeiro lugar", ou "segundo lugar" para falar de memória sobre o que havia numa lista está usando uma derivação moderna do método.
Tipo, usando imagens familiares, como usar os locais onde você passa todos os dias, para relacionar com coisas que você precisa fazer.
Olhando para a Igreja no caminho de seu trabalho você vai lembrar de pegar um pouco de água benta para levar para casa (afinal, não sabemos quando um vampiro vai aparecer, não é?).
Depois, seguindo sua lista, ao passar pela drogaria você vai lembrar de seu segundo item: comprar detergente (não importa se tem ou não a ver com o local - se não tiver farmácia no caminho para lembrar de comprar remédio como você vai fazer de lembrar deste item? Deu pra entender??)
Ainda confuso?
Basta imaginar você passando pela farmácia, que tem os letreiros verdes como o detergente que quer comprar. Imagine o detergente derramando sobre os letreiros, tingindo-os de verde.
Fácil.
Então, quando eu for escrever minha próxima lista em meu cérebro, vou relacionar seus itens com os locais familiares que eu vou passar ao ir á cidade.
Antes que algum irritadinho fale: "-Não é mais fácil escrever o que precisa numa lista e levar a lista com você?", este método vai ser importantíssimo para pessoas como eu, que esquecem sua lista em cima da mesa da cozinha, onde ela foi escrita, bem ao lado da caneta.
Deixo as coisas fora das gavetas mentais, e ai, quando vou guardá-las para que novas tomem seu lugar, eu já não sei mais á que andar pertencem.
Confuso?
Dito de outro jeito: minhas memorias estão tão bagunçadas que eu não consigo lembrar de muita coisa.
Mas já percebi, faz um bom tempo, que minha memória é mais facilmente acessada pela fotografia da cena.
Esse "jeito" de lembrar não é novidade para ninguém.
Reza a lenda que vem da Grécia Antiga, através do poeta Simonides.
Ele foi chamado, certa feita, para recitar seu trabalho num baquete, (de algum magnata greco, do ramo de petróleo, talvez). Foi contratado para declamar seus poemas.
Na digressão básica de sempre, não seria ótimo voltar esta prática tão linda? Declamar numa festa. Falo isso porque fui agraciada, certa feita, numa festa dada aqui em casa, com artistas, amigos.... Ufa! Foi uma ótima festa, com declamações, música e dança. Ás seis da manhã, na despedida dos últimos artistas, ganhamos mais um poema.
Falando em poema, o tal Simonides foi ao banquete e, vai se saber porque ele saiu da festa, o que importa é que este Simonides é o cara mais sortudo do mundo, pois um pouco depois dele sair da sala, o teto desabou sobre os presentes.
A construção desabando por todos, deixou os corpos mutilados, amassados, e irreconhecíveis para seus parentes. Afinal, ainda não havia o teste de DNA, não é?
Então tá. Aí foi que alguém pediu para o Simonides se lembrar de quem estava sentado onde.
Assim nasceu o Método de LOCI: associar coisas ou pessoas com um lugar...
Usar "primeiro lugar", ou "segundo lugar" para falar de memória sobre o que havia numa lista está usando uma derivação moderna do método.
Tipo, usando imagens familiares, como usar os locais onde você passa todos os dias, para relacionar com coisas que você precisa fazer.
Olhando para a Igreja no caminho de seu trabalho você vai lembrar de pegar um pouco de água benta para levar para casa (afinal, não sabemos quando um vampiro vai aparecer, não é?).
Depois, seguindo sua lista, ao passar pela drogaria você vai lembrar de seu segundo item: comprar detergente (não importa se tem ou não a ver com o local - se não tiver farmácia no caminho para lembrar de comprar remédio como você vai fazer de lembrar deste item? Deu pra entender??)
Ainda confuso?
Basta imaginar você passando pela farmácia, que tem os letreiros verdes como o detergente que quer comprar. Imagine o detergente derramando sobre os letreiros, tingindo-os de verde.
Fácil.
Então, quando eu for escrever minha próxima lista em meu cérebro, vou relacionar seus itens com os locais familiares que eu vou passar ao ir á cidade.
Antes que algum irritadinho fale: "-Não é mais fácil escrever o que precisa numa lista e levar a lista com você?", este método vai ser importantíssimo para pessoas como eu, que esquecem sua lista em cima da mesa da cozinha, onde ela foi escrita, bem ao lado da caneta.
quinta-feira, 27 de dezembro de 2012
Crop Circles
Crop Circles..
Assistir para tentar entender...
Porque é melhor abrir a cabeça... ficar aberto..livre de pre-conceitos...
Assistir para tentar entender...
Porque é melhor abrir a cabeça... ficar aberto..livre de pre-conceitos...
A Escala do Universo
Você aí sabe qual o tamanho estimado do Universo??
Não sabe???
Quer saber???
Clica ai embaixo!
http://htwins.net/scale2/?bordercolor=white
Aproveita e veja o mapa da National Geographic... Ele é demais de lindo!
Super claro!!
Não sabe???
Quer saber???
Clica ai embaixo!
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Aproveita e veja o mapa da National Geographic... Ele é demais de lindo!
Super claro!!
quarta-feira, 26 de dezembro de 2012
Feira da Liberdade II
Na praça vai todo tipo de pessoa. Acho até que é um dos bons motivos para a praça aparecer em hinos, poemas, dividindo com condores os espaços das rimas.
Na minha humilde opinião, aos domingo, muitas famílias "desovam" seus filhos menos agraciados mentalmente, ou seja, todo domingo alguém larga um louco pra ter uma folga. E os loucos são rapidamente reconhecidos no meio da uma multidão. Estranhei isso. Mas foi assim em todos os casos em que reconheci um louco andando por lá.
Tanta gente passando pelas barracas... tantas cores... muito movimento, muita coisa pra se ver. Mas ela ficava clara no canto do olho, dançando no meio da multidão exprimida para lhe dar espaço para as voltas da dança solitária. Amarrava um prato de sobremesa de plástico, destes de festa de aniversário, sabe?? Então, amarrava um em cada pé, e dançava! Cabelos soltos, olhos fechados, seu braço direito descansava no ar como se descansasse nos ombros de um homem. O esquerdo segurava nas mãos deste companheiro invisível e, ao som de músicas que só ela poderia ouvir, rodopiava na praça da Liberdade todos os domingos. Sempre limpa e bem vestida, com certeza. Silenciosa. Mansa. Nunca a vi observar uma banca ou segurar algum item nas mãos pensativa se comprava ou não. Ela parecia não perceber que o salão onde ela estava era, na verdade, uma praça lotada, quente e cheia de ruídos de todos os tipos (ruídos de vozes humanas, carros, ônibus, apitos, objetos de todas as cores, pendurados em pontas de barracas....)
O mágico, meu amigo artista do lado, comenta que ele já tentou dançar com ela, mas foi em vão.
Outro louco aparecia como uma mancha verde, homem em uniforme de guerra, com uma fita na testa e uma metralhadora de plástico, se escondendo atrás das barracas, procurando por inimigos em todas as partes. Não me lembro de ter ouvido sua voz. Ele também era manso, apesar de vir como soldado empunhando uma arma (plástica)... Não importunava, não atacava ninguém. Só atraía a atenção de todos pelo inusitado de ver um baita homão correndo como Rambo pelas calçadas cheias de gente. Sempre sério. Sempre com cara fechada, focado na busca inútil e infinita de cada domingo.
Tinha também um mendigo magro, sempre vestido com terno sujo, fedorento e rasgado. Um chapéu surrado na cabeça imunda, uma sacola nojenta nas mãos nojentas. Este sim interagia com as pessoas. Sempre rindo, conversava com os artistas, transeuntes, declamava versos como homem erudito. Falava sobre filmes, artistas, escritores, poemas. Eu me encantava com seu conhecimento, muito estranho de se encontrar num mendigo tão sujo. Mas... No meio da conversa, sem avisar, ele tirava o pênis para fora da calça, e sacolejando a criaturinha feia e suja, ele mirava em qualquer um, e urinava sem piedade nos sapatos, calças e meias do desavisado que ria ou se encantava com seus dizeres.
Ele urinou numa tela minha um dia. Sensação horrível de ver aquele louco nojento mirando o pinto na tela tão bonita, colorida com céu azul, nuvens brancas e lindo arvoredo refletido na lagoa mansa. Confesso que deixei a cena bucólica no lixo da feira, no final da tarde.
O segurança tirou o tal mendigo, mas já era tarde. A urina amarela, forte, escorria pelo céu!!
Foram dias de estranheza, mas a Praça era do povo, e aquilo era o povo.
Gente diferente.
Com todo tipo de problemas. Soluções.
Vida doida.
Mas devem ir e vir, como eu um dia fui para nunca mais voltar.
Hoje novos loucos, para novas eras...
Na minha humilde opinião, aos domingo, muitas famílias "desovam" seus filhos menos agraciados mentalmente, ou seja, todo domingo alguém larga um louco pra ter uma folga. E os loucos são rapidamente reconhecidos no meio da uma multidão. Estranhei isso. Mas foi assim em todos os casos em que reconheci um louco andando por lá.
Tanta gente passando pelas barracas... tantas cores... muito movimento, muita coisa pra se ver. Mas ela ficava clara no canto do olho, dançando no meio da multidão exprimida para lhe dar espaço para as voltas da dança solitária. Amarrava um prato de sobremesa de plástico, destes de festa de aniversário, sabe?? Então, amarrava um em cada pé, e dançava! Cabelos soltos, olhos fechados, seu braço direito descansava no ar como se descansasse nos ombros de um homem. O esquerdo segurava nas mãos deste companheiro invisível e, ao som de músicas que só ela poderia ouvir, rodopiava na praça da Liberdade todos os domingos. Sempre limpa e bem vestida, com certeza. Silenciosa. Mansa. Nunca a vi observar uma banca ou segurar algum item nas mãos pensativa se comprava ou não. Ela parecia não perceber que o salão onde ela estava era, na verdade, uma praça lotada, quente e cheia de ruídos de todos os tipos (ruídos de vozes humanas, carros, ônibus, apitos, objetos de todas as cores, pendurados em pontas de barracas....)
O mágico, meu amigo artista do lado, comenta que ele já tentou dançar com ela, mas foi em vão.
Outro louco aparecia como uma mancha verde, homem em uniforme de guerra, com uma fita na testa e uma metralhadora de plástico, se escondendo atrás das barracas, procurando por inimigos em todas as partes. Não me lembro de ter ouvido sua voz. Ele também era manso, apesar de vir como soldado empunhando uma arma (plástica)... Não importunava, não atacava ninguém. Só atraía a atenção de todos pelo inusitado de ver um baita homão correndo como Rambo pelas calçadas cheias de gente. Sempre sério. Sempre com cara fechada, focado na busca inútil e infinita de cada domingo.
Tinha também um mendigo magro, sempre vestido com terno sujo, fedorento e rasgado. Um chapéu surrado na cabeça imunda, uma sacola nojenta nas mãos nojentas. Este sim interagia com as pessoas. Sempre rindo, conversava com os artistas, transeuntes, declamava versos como homem erudito. Falava sobre filmes, artistas, escritores, poemas. Eu me encantava com seu conhecimento, muito estranho de se encontrar num mendigo tão sujo. Mas... No meio da conversa, sem avisar, ele tirava o pênis para fora da calça, e sacolejando a criaturinha feia e suja, ele mirava em qualquer um, e urinava sem piedade nos sapatos, calças e meias do desavisado que ria ou se encantava com seus dizeres.
Ele urinou numa tela minha um dia. Sensação horrível de ver aquele louco nojento mirando o pinto na tela tão bonita, colorida com céu azul, nuvens brancas e lindo arvoredo refletido na lagoa mansa. Confesso que deixei a cena bucólica no lixo da feira, no final da tarde.
O segurança tirou o tal mendigo, mas já era tarde. A urina amarela, forte, escorria pelo céu!!
Foram dias de estranheza, mas a Praça era do povo, e aquilo era o povo.
Gente diferente.
Com todo tipo de problemas. Soluções.
Vida doida.
Mas devem ir e vir, como eu um dia fui para nunca mais voltar.
Hoje novos loucos, para novas eras...
A coisa perdida - de Shaun Tan
Melhor curta de animação em 2011!
Lindo vídeo.
Estória doce. Louca, mas doce!!
Afinal, não é sempre que uma estranha criatura, meio caranguejo, meio polvo, meio máquina, que se alimenta de bolas de natal, perdida e triste, passeando por uma cidade, onde absolutar animação em mente ninguém presta atenção neste inusitado ser.
A estória é de Shaun Tan, e ganhou menção honrosa na Feira Internacional do Livro em Bolonha, virou peça de teatro e ganhou o Oscar de melhor em 2011.
O livro, publicado em 2000, chega ao Brasil pelas Edições SM.
Absolutamente surreal.
domingo, 23 de dezembro de 2012
Sobrevivi ao fim do mundo - 21/12/ 2012
Mais um Fim de Mundo anunciado, rezado e chorado por milhões!!!
Mais uma chance de redenção para os 7 bilhões de habitantes terráqueos!!!
Vivamos, pois, com a certeza que é tudo uma questão de tempo!!!
E o que importa é com que intensidade e veracidade vivemos cada segundo de nosso presente.
Um dia de cada vez.
quarta-feira, 19 de dezembro de 2012
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