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quinta-feira, 25 de outubro de 2012

Tekoa Virtual Guarani



Tem muito blog por aí comentando o vídeo denúncia da "Tekoa Virtual Guarani".
Foi apresentado na abertura do Fórum Social Mundial 2012, com a presença da presidente Dilma Roussef.
Um destes momentos monstruosos de nossa estória. E o Brasil não sabe. Não ouve. Não vê.


Educação neste país falta mesmo.
Conhecimento também
Ler um livro abre mesmo a mente..leva a pessoa para mundos nunca antes vistos, abre a cabeça da criatura acostumada com seu metro quadrado, mas precisa modificar a alma do ser, o depósito da ignorância gigantesca que "atravanca o pogresso", que não tem nada a ver com livros e educação.

Estes índios, minha pobre avó analfabeta, são pessoas inteligentes, cheias de conhecimento, e querem ser respeitados.

Quem faz as leis, quem dirige, geralmente fez faculdade, leu muitos livros, frequentou universidades e dá palestras para o estrangeiro, cobrando fortunas para que suas vozes sejam ouvidas.
Educação para o povo realmente é necessário.
Mas mudar uma nação começa sempre por nós mesmos.
Eu acredito na massa crítica, que, quando atingida, renova o velho.
Quanto mais gente souber, quanto mais gente se indignar, quanto mais movemos nossos traseiros, mais ajudamos a transformar o mundo em um lugar melhor.

Começar em nós mesmos é o único meio que eu conheço, com ou sem livros, de transformar verdadeiramente alguém ou alguma coisa.
Fazer o meu melhor, mudar meus hábitos, olhar o próximo com olhos de respeito e dignidade.

Lutar como Turin Turambar, com espadas, com a força e a guerra...não sei não...Lutar com livros já é bem melhor.

Mas se é verdade que o mal no mundo é a soma de todos os nossos males...se o mal reside em cada um de nós e em toda alma humana. ou seja: o mal que existe no mundo nada mais é do que a soma do mal que existe em todos os seres humanos... animais não fazem o mal, plantas não fazem o mal...vejo as cobras que picam e matam ...gente, elas estão sendo cobras...se atacadas, molestadas, elas picam e matam..mas isso não é o mal.
O mal é um cara chegar na terra do índio, por exemplo, molestar velhos, mulheres e crianças, torturar e ofender mortalmente a criatura à ponto de deixar o suicídio como único caminho honrado. Isso é mal.
E se o mal que existe em mim se junta à todos os outros, acredito que, transformando a MIM mesma eu consigo fazer algo. Massa crítica atingida, o mundo começa a se transformar...mas para atingir a massa crítica, é só assim: um a um.

Saber faz toda a diferença. Ignorar é que não podemos mais.

sexta-feira, 19 de outubro de 2012

Ziegfeld follies em 2012

Quando eu era pequena, beeeem pequena, eu vi na televisão um filme colorido por computador....era uma novidade, renovando as películas de filmes antigos, preto-e-branco que, na era da cor, não eram mais vistos. Todo mundo queria ver filme colorido.
Sentei na frente da televisão, e esqueci do mundo. Entrei naquela hora em um teatro, cheio de véus, um cenário rico em colorido (por computador), mulheres lindas, quase iguais, vestidas com roupas diáfanas, longas pernas molduradas por sapatos de altos saltos...tudo brilhava muito e a música fazia com que elas, as mulheres, cantassem e se mexessem pelo palco, em rodopios sincronizados.... tudo tão lindo...elas...o teatro, a música....tudo!!
Hoje eu sei que aquelas moças existiram de verdade, na Companhia de Flo Ziegfeld.
Peggy Hopkins Joyce

Hoje eu sei que um bom número de atrizes famosas na época saíram do palco dançante para as grandes telas de cinema.
Barbara Stanwyck

Hoje eu sei que elas enfrentaram todo tipo de preconceito social, moral...
Julanne Johnston

Mas, naquele dia, eu sabia que elas eram divinas, eu tinha certeza de que eu gostaria de ser uma delas.
Doris Eaton Travis

No fundo, acho que toda mulher tem um pouco de follies girls, ou pelo menos gostaria de ter, deveria ter...
Anne Lee Patterson

Mulheres, mulheres..
Neste site CENTENÁRIO edição limitada de cópias 1907-2007 - 100 Anos de as Ziegfeld Follies tem imagens que foram trabalhadas com modernas técnicas, melhorando as imagens em muito.

Mas não importa, né?? Seja em 1900 ou 2000, mulheres brilham...




sábado, 13 de outubro de 2012

Feira da Liberdade I

Eu escrevo no blog de forma "meio" aleatória, esquecendo se o assunto já foi contado ou não.
De qualquer jeito o fato ocorreu, não importa de que forma venha. Se já foi contado, sei que foi muito parecido com o que esta abaixo... ;D

Eu pintava quadros, dava aulas de pintura e durante algum tempo minha vontade era de expor minhas obras nas calçadas, como qualquer bom artista que se preze.
Eu queria estar nas praças, levanto arte, a minha interpretação de arte, para o povo. Queria contato, ver o rosto das pessoas entrando nas telas, conhecer novas pessoas, outros pintores, artistas de rua...cores.


Me inscrevi para ser um dos primeiros artistas para expor telas na praça da Liberdade, que era só para comida e artigos orientais. A prefeitura estava expandindo o alcance da praça, convidando artistas para exporem seus trabalhos nas imediações.

Depois de alguns meses, já havia até esquecido do fato, quando recebo um comunicado da prefeitura dizendo das condições para expor meus trabalhos na praça, definindo o padrão de listras vermelhas que eu deveria adotar no toldo de minha barraca, quais as condições de segurança (lembro que minha parte era pagar R$10,00 aos seguranças da praça para que passassem algumas vezes por domingo no quarteirão onde nós estávamos). Meu coração veio parar na garganta. Me armei dos documentos, dos R$ 10,00 levantei cedíssimo, pois a praça deveria estar pronta antes das 7 da manhã e fui para a realização de um sonho. Iria expor minhas obras na calçada de uma praça. Eu não podia me conter de felicidade.

Durante meses eu fiz a mesma rotina, todos os domingos. Acordava bem cedo, saía disparada com o carro (uma brasília branca, 'quase" nova, "quase" silenciosa, "quase" limpa), já carregado na noite anterior com telas, telinhas e telonas, com pequenos artigos com telas minúsculas pintadas com esforço de mãos e olhos. Estacionava longe da praça, pois os flanelinhas que "trabalham" lá ODEIAM quando os "artistas" estacionam os carros, "roubando" vagas que ficarão "ocupadas" o dia todo, sem render grana para eles. Afinal, eles ganham toda vez que saí um cliente e entra outro. Para evitar que aparecesse outro risco na lataria já gasta da brasília, estacionava longe, não tão longe que me causasse desconforto, nem tão perto que "desconfortasse" os tais flanelinhas..

Punha minhas peças e toldo num pequeno carrinho de mulambeiros, (sabe?? Descobri à duras penas que são os melhores para carregar pacotes desengonçados, em distâncias pequenas, e que possam ou não pesar mais do que conseguimos carregar nas mãos ou nas costas) e lá ia eu, alegre, levando o fruto do meu trabalho para o local de maior contato entre criador/criatura e o outro, aquele que contempla, que observa e participa da obra: a praça.

Vestido, pois a época era de calor insuportável, como descobri logo, e filtro solar, porque mesmo debaixo do toldo, a vida se esvai em calor e chamas, que sobem do asfalto e descem do céu, em forma de raios quentes e radiações de todo tipo. Mesmo sendo desconfortável, eu precisava ir de vestido. O calor era mesmo de lascar. Pensava em Lawrence das Arábias nos momentos mais quentes do dia, quando o calor que sobe desfaz a paisagem, criando impressões de movimentos e ondulações nas pessoas e coisas. Ria sozinha, vivendo aquilo tudo com a mesma emoção que o tenente inglês viveu nas areias de Damasco. Com vestido eu não poderia me sentar no chão sujo e rústico da praça, mas teria que sentar em ridículas cadeiras de Camping  onde mais se equilibra do que senta, tentando fingir conforto e segurança num objeto pequeno e titubeante no chão pouco liso e cheio de alterações de altura e textura.

Fiz amigos estranhos, como tem que ser as pessoas que frequentam este meio. Somos todos muito estranhos, não só no vestir, mas principalmente no agir. Diferentes.

Conheci um mágico, que nos domingos expunha lindos quadros infantis. Me deu seu cartão assim que me apresentei, e logo ficamos amigos. Me ajudou com a barraca (-Como se monta isso, sr mágico?) e começou a falar sobre a praça e seus frequentadores. Contou-me que havia chegado na praça fazia uns 4 meses, e que havia sido chamada para cobrir as desistências desta primeira leva.
-Foram muitos??
-Humm.... alguns!! - e me deu uma olhada marota - "-Aqui não é fácil, menina.... tem que ser louco!!".

Quando o sol se punha, pegava meus quadros (os que eu não havia vendido) já guardadinhos no tal carrinho de muambeiro, minhas sacolas (garrafas de água vazias, meu lixo, como restos de papéis e lencinhos umedecidos, um pote plástico com restos de algum lanche ou doce...lenços de papel, e é claro, um rolo de papel higiênico, disputado aos tapas quando o assunto é banheiro público) meus óculos escuros, minha pochete com trocos e cheques, moedas e balinhas de goma e lá ia eu, ás vezes acompanhada de alguém, conversando sobre alguma peça de arte, algum acontecimento do dia (e estes acontecimentos eram muitos...e todos os domingos...), algum comentário de um transeunte, uma festa ou uma cerveja.

Os domingos seguiram assim durante um bom tempo.
Aos poucos vou contando (até para eu mesma ler) tudo o que passei.
Vai ser divertido lembrar daquilo tudo.




sexta-feira, 12 de outubro de 2012

PDF da Revista Pandim JUL/2012

Visitando a net por aí me deparei com este site super legal, super alternativo, super moderno, super ecológico, com criações baratas, positivas para as pessoas envolvidas, tanto financeira como moralmente (afinal, todos nós, sem exceção, temos a obrigação moral de cuidarmos de nosso planeta, nossa casa azul), positivas para o planeta, para todo mundo.



http://moradadafloresta.org.br/PDFs_para_download/Revista_Pandin_pag%2028_31_por_um_planeta_melhor.pdf

neste link você encontra o PDF da Revista Pandin - "Por um planeta melhor".

Vale a pena dar uma olhada.
O site legal? http://www.moradadafloresta.org.br/



Passa lá!!
Consciência dói, mas faz um bem incrível dar ouvidos à ela....

Jornada VI - André Martins de Barros

Espanhol.
Nasceu perto da fronteira, e começa  a pintar om 15 anos.
Paris. Onde tem seu estúdio, perto do Molin Rouge, e pinta seus incríveis quadros surrealistas.

Vale a pena fazer essa viagem.
Vale muuuuuito a pena.










Vai visitar...olhar...viajar nas telas..

Aproveita!!



segunda-feira, 8 de outubro de 2012

Urna na roça, o doberman minúsculo e as voltas que o rio dá...

E na roça vai-se ás urnas votar naqueles em quem acreditamos para legislar por nós.
O que eu vi foi muita sujeira na rua.
Vi gente mal vestida, mal calçada, vi gente bonita e feia.
Vi muito animal magro, ferido, faminto e perdido na rua.
Vi o bar lotado de caipira pinguço, de peito de fora, chapéu de Cowboy na cabeça ignorante, "beudos" com cachaça de última, baratinha e cruel, fazendo que os estalos de língua sejam ouvidos do outro lado da rua.
Vi turistas, de chapéu na cabeça, óculos escuros, shorts ou bermuda, andando de mãos dadas, com família,

Vi cachorrinho pequenino correndo solto na estrada. Este eu até parei o carro, fechei o trânsito na estrada. O cachorrinho corria como louco, não se vendo as pernas finas e rápidas. Corisco canino, e os carros iam parando...a fila ia aumentando, aumentando, até que deu volta na curva, lá trás. Todo mundo me vendo correr pela estrada, atrás do pequeno que se escondeu como rato no meio do mato. O ônibus que estava na frente seguiu com o cortejo atrás,e era carro que não parava mais. Eu, vermelha, ofegante, recebia os elogios dos amigos motoristas. rs

Mico á parte, eu ainda penso naquele cachorrinho perdido, ali na mata, com fome talvez. Tinha coleira prateada, com dentes, lembrando um doberman minúsculo e assustado. Que pena.

Não sei se tem candidato descente. Se tem, eu não conheço. Justifiquei, já que meu título é de outra cidade. Abracei São Chico como morada provisória, até o rio me levar para outra curva...

sexta-feira, 28 de setembro de 2012

Por que escrevo?

Escrevo como quem fuma escondido dos pais.
Sempre gostei desta sensação.
Por isso, escrever de noite, nas madrugadas insones..muitas.

Escrevo como quem tem um segredo, destes que podem modifcar o mundo.
Sempre gostei desta sensação.
Por isso, o poder que tenho ao dedilhar as teclas do computador.

Escrevo como quem não tem dono, nem regras a seguir.
Sempre gostei desta sensação.
Não viver na temporalidade, nem com restrições e regras.

Isso me inebria.
Me transforma, me completa, desenvolve em mim capacidades que eu não sabia que tinha.

Misturo ficção e realidade.
Não tenho mais o limite definido. Libertei-me.

Inebriante sensação de voar.

 

segunda-feira, 17 de setembro de 2012

Os Sete pilares da sabedoria e outros escritos

Hoje fui fazer uma limpeza em parte de meu armário. Aquelas coisas importantes para deixar minha vida mais leve, mais gostosa de caminhar: menos roupas, menos tranqueiras uteis que não são usadas (então não estão na "plenitude de suas forças"), papeis velhos lidos pela enésima vez e, por fim, jogados fora. Alguns acabam sendo copiados (estavam velhos, manchados ou presos em algo que vai pro lixo já já).

Vou escrever aqui algumas destas frases, tiradas do livro Os sete pilares da Sabedoria, de T.E. Lawrence. Simplesmente perturbador ler sobre cultura tão diferente da minha.
Gente, que livro incrível escrito por esta figura não mais crível: Lawrence da Arábia, famoso tenente da Rainha, em missão na arábia, um participante ativo e fundamental no nascimento do que hoje se conhece dos Países Árabes.

"Sofrer por outro na simplicidade, proporcionava uma sensação de grandeza. A redenção sincera devia ser espontânea e infantil. Quando o "expiador" estava consciente de 2ªs intenções e da glória posterior do seu ato, ambas as coisas se desperdiçavam".

"O homem podia se elevar à qq altura, mas havia um nível animal abaixo do qual ele não podia cair".

"Sentimentos e ilusões estavam sempre em guerra dentro de mim. A razão era forte o bastante para vencer, mas não suficientemente forte para aniquilar o vencido ou se abster de gostar ainda mais dele".

"Eles falavam de comida e doenças, diversões e prazeres, logo comigo, que achava que reconhecer a posse de nossos corpos já era degradação suficiente, sem que fosse preciso ampliá-la com suas falhas e atributos".

"Para o homem racional, as guerras de nacionalidade eram tão fraudulentas quanto as guerras religiosas, pois não valia a pena lutar por qualquer coisa; a própria luta, o ato de lutar, também não se expressava qualquer virtude intrínseca."

De outros escritos, infelizmente anônimos, cito:

"O Corpo,

É escrínio divino gerado para conter, no espaço e no tempo, tesouros de luz, que os séculos foram trazendo à Essência Divina;

É parte visível e palpável de outro ser, bem maior e mais sábio, que utiliza essa parte material para crescer;

É o limite, a fronteira entre meu ser e o próximo, mostrando até onde eu posso ir e até onde posso deixar que os outros cheguem;

É o templo onde não consigo aprisionar Deus, onde meu Espírito se manifesta e mergulha no mundo das formas;

Por fim, será a casca de divino fruto, que rompida, projetará a Essência, para continuar uma jornada que não tem fim, crescendo no seio do Próprio Criador."

Coleção primavera/verão na roça

Aqui na roça dormir e acordar é algo feito com milhares de outros seres que, invisíveis ou não, estão em toda parte.
A rotina, para mim, é deitar na cama, depois de um longo dia (quente, diga-se de passagem!!), e ouvir o "silêncio" da noite... Mas morcegos, pássaros noturnos (tem vários aqui por perto) e outros seres das matas me chamam a atenção, e eu acabo dormindo nesta busca pelos sons, passado muuuuto tempo depois de deitar na tal cama...

Morcegos andando no forro, juntamente com várias espécies de pássaros, saindo quando a noite chega. Dá para saber em qual telha estão. Não se importam com o barulho que fazem, mas reconheço que suas casas devem ser mais limpas que a de meu vizinho que cria porcos, lá no vale, pois os cocôs estão por toda parte no chão aqui de casa. Afora isso, não atrapalham em nada. Com seu sonar eficiente, passam a dar um show de manobras arriscadas entre árvores e pessoas.

Os pássaros que vivem no telhado são mais barulhentos... o ninho do lado de fora do escritório está bombando, e eu sei que, daqui a pouco, terei que colocar um veneninho básico nas paredes, evitando assim aquela onda de carrapatos descendo do ninho até quase direto meus pés, sabe??? Estão nidificando, multiplicando-se, e até aí, tudo bem.... daqui a pouco ensinam seu(s) filhote(s) a voar(em). Apesar do tamanho, estes pequenos seres alados tem grande valentia. Dão vôos rasantes em cabeças desavisadas, levando fios de cabelo e provocando um estalo no ouvido. Gosto de andar com desavisados urbanóides pela lateral da casa, onde o bombardeio é maior...

Tudo bem...sacanagem né??

Tem pássaros diurnos (e noturnos) aparecendo de montão, e os observadores estão em alvoroça. Com a maior preservação do meio-ambiente, os alados estão voltando.

Tem lobo guará com filhote na serra, tem jaguatirica nervosa (deve ter filhote também), tem ariranha (já comeu o galo do meu vizinho no final de semana. Na verdade, comeu a galinha no sábado. O galo foi no domingo), tem muriqui (este eu nunca vi, mas já apareceu um, que ficou na torre da igreja, olhando para o povo na praça que se espantava do tamanho do bicho)...tem bicho gente, que chega de toda parte.

Tem a Cris, que é cantora, cantora boa, de verdade. Perdeu tudo na virada da vida. Tá morando num casebre lá no bairro dos Ferreira, feliz. Arrumou casa, móveis os amigos estão dando. E ela senta, quase á moda da roça, acende seu pito e diz: "-Já vivi muito nesta vida e ainda vou viver muitas mais...". Conta seus causos, conta o porquê de lá estar, entre um canto e outro. Vai pintar e viver feliz, pois já conheceu o Silvio, que faz letra pra música...e vive só na casinha ao lado do rio, onde toma banho pelado quase todo dia. Silvio agora está trabalhando pro "Cézinha", que quer ser vereador aqui pra "ajudar os amigos da roça".

Tem a Índia, que está morrendo com AIDS. Minha amiga está indo embora, e eu sei que a Natureza vai ficar mais pobre quando ela se for.

Tem a Lelê, que com a vinda da Cris, sofre de ciúmes, pois o marido, Bambuíra, toca violão e faz música de montão com a nova vizinha. Fica brava, pelos cantos, catando roupas dos filhos, que largam tudo pela casa.

Tem a Rebeca e o Marcus, que acordaram de manhã com uma gata nova dentro de casa. Entrou por alguma coisa aberta, porque aqui na roça é assim: algo sempre fica aberto para bichos entrarem , mesmo que você feche tudo antes. Entende? E a gata deu 4 filhotinhos semana passada. Fui ver os rebentos, poucas horas depois do parto. Lindos. Marcus e Rebeca vão morar na própria terra. Vão viver na roça de verdade.

Tem o Humberto, que voltou de férias. Foi ganhar a vida no nordeste. Já conheceu a Cris, que já conheceu o Humberto. Sacou??

Tem a Zê, que acorda 8 da manhã e vai fazer budas para o templo ser construído. Só lembra de comer quando a noite chega. A médica me chamou e disse "-Você tem que fazer sua amiga comer!!! Ela está magérrima e com um buraco no estômago". "Putz, pensei eu, fazer a Zê comer vai ser duro!!". Dei bronca.... falei firme....perguntei se tinha entendido. Tudo certo. Ela entendeu. Mas eu sei, lá no fundo, que não comeu ainda do jeito certo.

Tem o Armando, que separou da Sandra, por causa de bobeira. Sofre demais. Não sorri e anda mole pelas ruas. Ela, ao contrário, remoçou. Deu pena de ver o amigo assim murcho. Mas vai reviver logo, logo!!

Tanta gente...
Gente de toda cor e dor,
de todo tamanho e altura,
de todo jeito!!
Nem sempre em convivência pacífica...mas ali, na mesma onda que a vida dá.
E esta primavera, que nem começou, promete muita estória....

segunda-feira, 10 de setembro de 2012








E aí uma menina abriu seu caderno e desenhou, e depois pegou porcelana e esculpiu lindas e elegantes formas.

E aí, pintou com delicadeza e realidade rostos, tatuagens, olhos e bocas.

E aí, com seus dons de costura, teceu lindos e luxuosos trajes, com jóias e cores ricas e de grande beleza.

Juntou tudo isso e criou as bonecas mais lindas do mundo.

Pra mim, pelo menos....

Fico pensando se ela fizesse uma série Silmarillion...

Maravilhoso trabalho de Marina Bychkova ->