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segunda-feira, 8 de outubro de 2012

Urna na roça, o doberman minúsculo e as voltas que o rio dá...

E na roça vai-se ás urnas votar naqueles em quem acreditamos para legislar por nós.
O que eu vi foi muita sujeira na rua.
Vi gente mal vestida, mal calçada, vi gente bonita e feia.
Vi muito animal magro, ferido, faminto e perdido na rua.
Vi o bar lotado de caipira pinguço, de peito de fora, chapéu de Cowboy na cabeça ignorante, "beudos" com cachaça de última, baratinha e cruel, fazendo que os estalos de língua sejam ouvidos do outro lado da rua.
Vi turistas, de chapéu na cabeça, óculos escuros, shorts ou bermuda, andando de mãos dadas, com família,

Vi cachorrinho pequenino correndo solto na estrada. Este eu até parei o carro, fechei o trânsito na estrada. O cachorrinho corria como louco, não se vendo as pernas finas e rápidas. Corisco canino, e os carros iam parando...a fila ia aumentando, aumentando, até que deu volta na curva, lá trás. Todo mundo me vendo correr pela estrada, atrás do pequeno que se escondeu como rato no meio do mato. O ônibus que estava na frente seguiu com o cortejo atrás,e era carro que não parava mais. Eu, vermelha, ofegante, recebia os elogios dos amigos motoristas. rs

Mico á parte, eu ainda penso naquele cachorrinho perdido, ali na mata, com fome talvez. Tinha coleira prateada, com dentes, lembrando um doberman minúsculo e assustado. Que pena.

Não sei se tem candidato descente. Se tem, eu não conheço. Justifiquei, já que meu título é de outra cidade. Abracei São Chico como morada provisória, até o rio me levar para outra curva...

sexta-feira, 28 de setembro de 2012

Por que escrevo?

Escrevo como quem fuma escondido dos pais.
Sempre gostei desta sensação.
Por isso, escrever de noite, nas madrugadas insones..muitas.

Escrevo como quem tem um segredo, destes que podem modifcar o mundo.
Sempre gostei desta sensação.
Por isso, o poder que tenho ao dedilhar as teclas do computador.

Escrevo como quem não tem dono, nem regras a seguir.
Sempre gostei desta sensação.
Não viver na temporalidade, nem com restrições e regras.

Isso me inebria.
Me transforma, me completa, desenvolve em mim capacidades que eu não sabia que tinha.

Misturo ficção e realidade.
Não tenho mais o limite definido. Libertei-me.

Inebriante sensação de voar.

 

segunda-feira, 17 de setembro de 2012

Os Sete pilares da sabedoria e outros escritos

Hoje fui fazer uma limpeza em parte de meu armário. Aquelas coisas importantes para deixar minha vida mais leve, mais gostosa de caminhar: menos roupas, menos tranqueiras uteis que não são usadas (então não estão na "plenitude de suas forças"), papeis velhos lidos pela enésima vez e, por fim, jogados fora. Alguns acabam sendo copiados (estavam velhos, manchados ou presos em algo que vai pro lixo já já).

Vou escrever aqui algumas destas frases, tiradas do livro Os sete pilares da Sabedoria, de T.E. Lawrence. Simplesmente perturbador ler sobre cultura tão diferente da minha.
Gente, que livro incrível escrito por esta figura não mais crível: Lawrence da Arábia, famoso tenente da Rainha, em missão na arábia, um participante ativo e fundamental no nascimento do que hoje se conhece dos Países Árabes.

"Sofrer por outro na simplicidade, proporcionava uma sensação de grandeza. A redenção sincera devia ser espontânea e infantil. Quando o "expiador" estava consciente de 2ªs intenções e da glória posterior do seu ato, ambas as coisas se desperdiçavam".

"O homem podia se elevar à qq altura, mas havia um nível animal abaixo do qual ele não podia cair".

"Sentimentos e ilusões estavam sempre em guerra dentro de mim. A razão era forte o bastante para vencer, mas não suficientemente forte para aniquilar o vencido ou se abster de gostar ainda mais dele".

"Eles falavam de comida e doenças, diversões e prazeres, logo comigo, que achava que reconhecer a posse de nossos corpos já era degradação suficiente, sem que fosse preciso ampliá-la com suas falhas e atributos".

"Para o homem racional, as guerras de nacionalidade eram tão fraudulentas quanto as guerras religiosas, pois não valia a pena lutar por qualquer coisa; a própria luta, o ato de lutar, também não se expressava qualquer virtude intrínseca."

De outros escritos, infelizmente anônimos, cito:

"O Corpo,

É escrínio divino gerado para conter, no espaço e no tempo, tesouros de luz, que os séculos foram trazendo à Essência Divina;

É parte visível e palpável de outro ser, bem maior e mais sábio, que utiliza essa parte material para crescer;

É o limite, a fronteira entre meu ser e o próximo, mostrando até onde eu posso ir e até onde posso deixar que os outros cheguem;

É o templo onde não consigo aprisionar Deus, onde meu Espírito se manifesta e mergulha no mundo das formas;

Por fim, será a casca de divino fruto, que rompida, projetará a Essência, para continuar uma jornada que não tem fim, crescendo no seio do Próprio Criador."

Coleção primavera/verão na roça

Aqui na roça dormir e acordar é algo feito com milhares de outros seres que, invisíveis ou não, estão em toda parte.
A rotina, para mim, é deitar na cama, depois de um longo dia (quente, diga-se de passagem!!), e ouvir o "silêncio" da noite... Mas morcegos, pássaros noturnos (tem vários aqui por perto) e outros seres das matas me chamam a atenção, e eu acabo dormindo nesta busca pelos sons, passado muuuuto tempo depois de deitar na tal cama...

Morcegos andando no forro, juntamente com várias espécies de pássaros, saindo quando a noite chega. Dá para saber em qual telha estão. Não se importam com o barulho que fazem, mas reconheço que suas casas devem ser mais limpas que a de meu vizinho que cria porcos, lá no vale, pois os cocôs estão por toda parte no chão aqui de casa. Afora isso, não atrapalham em nada. Com seu sonar eficiente, passam a dar um show de manobras arriscadas entre árvores e pessoas.

Os pássaros que vivem no telhado são mais barulhentos... o ninho do lado de fora do escritório está bombando, e eu sei que, daqui a pouco, terei que colocar um veneninho básico nas paredes, evitando assim aquela onda de carrapatos descendo do ninho até quase direto meus pés, sabe??? Estão nidificando, multiplicando-se, e até aí, tudo bem.... daqui a pouco ensinam seu(s) filhote(s) a voar(em). Apesar do tamanho, estes pequenos seres alados tem grande valentia. Dão vôos rasantes em cabeças desavisadas, levando fios de cabelo e provocando um estalo no ouvido. Gosto de andar com desavisados urbanóides pela lateral da casa, onde o bombardeio é maior...

Tudo bem...sacanagem né??

Tem pássaros diurnos (e noturnos) aparecendo de montão, e os observadores estão em alvoroça. Com a maior preservação do meio-ambiente, os alados estão voltando.

Tem lobo guará com filhote na serra, tem jaguatirica nervosa (deve ter filhote também), tem ariranha (já comeu o galo do meu vizinho no final de semana. Na verdade, comeu a galinha no sábado. O galo foi no domingo), tem muriqui (este eu nunca vi, mas já apareceu um, que ficou na torre da igreja, olhando para o povo na praça que se espantava do tamanho do bicho)...tem bicho gente, que chega de toda parte.

Tem a Cris, que é cantora, cantora boa, de verdade. Perdeu tudo na virada da vida. Tá morando num casebre lá no bairro dos Ferreira, feliz. Arrumou casa, móveis os amigos estão dando. E ela senta, quase á moda da roça, acende seu pito e diz: "-Já vivi muito nesta vida e ainda vou viver muitas mais...". Conta seus causos, conta o porquê de lá estar, entre um canto e outro. Vai pintar e viver feliz, pois já conheceu o Silvio, que faz letra pra música...e vive só na casinha ao lado do rio, onde toma banho pelado quase todo dia. Silvio agora está trabalhando pro "Cézinha", que quer ser vereador aqui pra "ajudar os amigos da roça".

Tem a Índia, que está morrendo com AIDS. Minha amiga está indo embora, e eu sei que a Natureza vai ficar mais pobre quando ela se for.

Tem a Lelê, que com a vinda da Cris, sofre de ciúmes, pois o marido, Bambuíra, toca violão e faz música de montão com a nova vizinha. Fica brava, pelos cantos, catando roupas dos filhos, que largam tudo pela casa.

Tem a Rebeca e o Marcus, que acordaram de manhã com uma gata nova dentro de casa. Entrou por alguma coisa aberta, porque aqui na roça é assim: algo sempre fica aberto para bichos entrarem , mesmo que você feche tudo antes. Entende? E a gata deu 4 filhotinhos semana passada. Fui ver os rebentos, poucas horas depois do parto. Lindos. Marcus e Rebeca vão morar na própria terra. Vão viver na roça de verdade.

Tem o Humberto, que voltou de férias. Foi ganhar a vida no nordeste. Já conheceu a Cris, que já conheceu o Humberto. Sacou??

Tem a Zê, que acorda 8 da manhã e vai fazer budas para o templo ser construído. Só lembra de comer quando a noite chega. A médica me chamou e disse "-Você tem que fazer sua amiga comer!!! Ela está magérrima e com um buraco no estômago". "Putz, pensei eu, fazer a Zê comer vai ser duro!!". Dei bronca.... falei firme....perguntei se tinha entendido. Tudo certo. Ela entendeu. Mas eu sei, lá no fundo, que não comeu ainda do jeito certo.

Tem o Armando, que separou da Sandra, por causa de bobeira. Sofre demais. Não sorri e anda mole pelas ruas. Ela, ao contrário, remoçou. Deu pena de ver o amigo assim murcho. Mas vai reviver logo, logo!!

Tanta gente...
Gente de toda cor e dor,
de todo tamanho e altura,
de todo jeito!!
Nem sempre em convivência pacífica...mas ali, na mesma onda que a vida dá.
E esta primavera, que nem começou, promete muita estória....

segunda-feira, 10 de setembro de 2012








E aí uma menina abriu seu caderno e desenhou, e depois pegou porcelana e esculpiu lindas e elegantes formas.

E aí, pintou com delicadeza e realidade rostos, tatuagens, olhos e bocas.

E aí, com seus dons de costura, teceu lindos e luxuosos trajes, com jóias e cores ricas e de grande beleza.

Juntou tudo isso e criou as bonecas mais lindas do mundo.

Pra mim, pelo menos....

Fico pensando se ela fizesse uma série Silmarillion...

Maravilhoso trabalho de Marina Bychkova ->

quinta-feira, 6 de setembro de 2012

Rachel Corrie (1979-2003)

Quando eu era moleca, reuni alguns alunos de minha classe (todos aqueles que estivessem insatisfeitos com a professora de química) e, depois de cabularmos a aula da danada de uma professora louca que dava aulas de química, fomos para a diretoria. Lá contei nossa insatisfação. Lembro que ela usava cabelos de diversas cores e dizia que Deus ficava de barriga para cima jogando cavalinhos do céu. Depois dos depoimentos, fomos para casa.
Foi minha primeira luta por algo coletivo, um bem maior do que não somente o meu. Eu tinha 7 anos de idade e consegui, junto com meus colegas, tirar a professora louca de ação.

Fico imaginando o nobre chinês que, sozinho, segurando um paletó nas mãos, se colocou na frente de um tanque de guerra, dezenas de vezes mais forte e poderoso, diante do mundo que assistia estarrecido a sua força e coragem.

A imagem dele ainda circula pela net como algo grandioso que uma só pessoa pode fazer.

Rachel Corrie não teve a mesma sorte. Ativista norte-americana de 23 anos, se colocou na frente de uma escavadeira que pretendia demolir casas de palestinos, durante a Intifada de Al-Aqsa, na cidade de Rafah, perto da fronteira de Gaza com Egito.

O moço da escavadeira passou por cima dela 3 vezes.
Num mundo como hoje, fazer isso na frente das cameras deveria impedir uma parte dos assassinatos, mas não aconteceu isso.
Dia 28 de agosto de 2012, um tribunal de Israel inocentou o driver da escavadeira e o Exército, dizendo que a morte de Rachel foi acidental.



Tem fotos dela morta..mas tem fotos dela viva.

Não tenho muito mais o que falar...me pesa pensar que somos cheios de ódio, que nosso planeta recebe diariamente dor e sangue, em toda parte. Tudo bem, tem coisas boas...

Mas eu acho que o Sr.Smith estava certo...aliás...absolutamente certo.
Somos um vírus, destruidor.

Falo dela porque não pude calar.
Porque merece ser lembrada, sim.
Ela não queria morrer.
Não queria estar debaixo daquela escavadeira, meu Deus!!!

Por que tem que ser assim??

Muita dor saber dela.

Que pena...se não correr o mundo, terá morrido em vão, entende??

Falo dela porque temos que saber dela.
Precisamos saber o que aconteceu.

Eu não quero morrer debaixo de uma escavadeira, mas, com certeza, quero viver pelas coisas que eu acredito.
Cada vez mais.

sexta-feira, 31 de agosto de 2012

as fotos subaquáticas de Zena Holloway



Fotografia é um grande barato.

Sair com máquina fotográfica pelas ruas e captar na película um momento encantado.

Meu pai tinha sua sala de revelação de fotos..suas bandejas de líquidos diversos, onde a imagem se formava como por magia...

Fotografar debaixo d'água?





Pois esta é a especialidade da Zena Holloway, uma fotógrafa inglesa. Fez campanhas publicitárias de sucesso, como a da Nike Woman, e trabalhos no mundo dos sonhos embaixo da água, como na série Underwater.


http://www.zenaholloway.com/indexzena.html

Vale a pena visitar o site...

quinta-feira, 30 de agosto de 2012

Viva a Dodô magrela que se candidatou!

Na roça também tem candidato.

Tem o Joãozinho da farmácia. Vereador pelo PDS.
Tem a Dodô, minha amiga cozinheira do restaurante por quilo lá de Monteiro. Ela é do partido verde. Alisou o cabelo, deixou os dentes mais brancos. Sai de bicicleta, simpática, parando para conversar com todos.
Tem a Gracias, do Postinho de Saúde.
Tem o Alexandre, do Pesqueiro. Estes dias ouvi alguém chamando meu nome num semáforo, lá em São José dos Campos... Fui ver, era a esposa do Alexandre, distribuindo o "santinho" do maridão nas esquinas.
São todos crianças, que mal sabem ler ou escrever.
O problema não é não saber ler ou escrever... Minha avó era semi-analfabeta...quando criança, enfrentou o pai, homem ignorante e agressivo, e foi aprender a ler numa casa vizinha, com as amigas.
Durou pouco.
Mas ela morreu com 96 anos, lendo de tudo...devagar, quase sílaba a sílaba... orgulho de ser neta dela.
São crianças porque não sabem onde estão se metendo. Política já é uma coisa que permeia o pior da humanidade. Tem o que pode ter de melhor, na figura de homens que conhecem o mundo, as leis, o código da vida...mas, puxa...eu vejo os políticos lá da "terrinha"... são "putas velhas", que vivem contando suas aventuras com os recursos daqueles que votaram neles... tudo bem, não tem segredo nenhum.

Dodô é nascida e criada na roça... não é mulher boba, mas é mulher limpa, andando de bicicleta com um sorriso lindo nos lábios pintados, o que é uma novidade. Dodô sempre de touca na cabeça, servindo o povo com fome lá no restaurante.
Pintou os cabelos de vermelho chocolate, porque a dor de cuidar do pai (com Alzeimer e Parkinson juntos) tirou a cor e o brilho dos cabelos dela. Magra, de tanto fumar e de tão pouco comer, já que vivia correndo para cima e para baixo. Diia que o cheiro da comida já bastava.

Dodô quer melhorar de vida. Quer ganhar salário fixo. Não quer lutar por direitos de nada nem de ninguém. Dodô que arrumar um novo amor, porque o coração sofrido quer amar.
Começou a fazer estátuas, com argila. Colocou as peças no restaurante por quilo. Uma hora, alguém tirou lá do balcão para por os doces em compotas deliciosas, que vendem mais do que os estranhos seres eternizados na argila pelas mãos magrelas da Dodô. Homens rústicos saindo de algum objeto inanimado. Seres se contorcendo em quase agonia para explodir na argila dura e ganhar liberdade, liberdade que nunca vem, pois a cena da ruptura foi eternizada no forno. Não há mais conclusão. Apenas o quase despertar para a liberdade... mas ainda preso na pedra.
Acho que Dodô ainda se sente assim. Quer ser livre e feliz, mas ainda esta presa na pedra.

Tenho um pouco desta amiga valorosa e sorridente dentro de mim, correndo magrela em sua bicicleta, com cabelos vermelhos chocolate..lá na praça, falando de sua força e poder com o voto daquele que a ouve quase sem entender.
Vejo que o velho, sentado no banco da praça, em Monteiro, não tem dentes. Ri banguela e pega o papel que Dodô oferece..rs
Cena louca.


Neste ano não voto em ninguém.


Meu voto vai para Milhões de Dodôs que vivem pelo Brasil.
Meu voto vai para a esperança.
Vai para a vida.
Vai para o amor.
Vai pro Universo.
Vai pra você, pra ele, pra ela...pra todo mundo.
Não para um homem ou mulher.
Voto em todo mundo.
Voto no mundo todo.

sexta-feira, 10 de agosto de 2012

quinta-feira, 9 de agosto de 2012

A Máquina á jato e a cobra

Quem já fez reforma, sabe: o buraco não tem fim.
Se vai trocar a pia, o encanamento todo parece "fazer bico", e assim tudo cresce... e a compra de material não é nada ecológico, e nada barato. Reformar, penso eu, gasta mais do que construir do novo.
E o cartão de crédito aparece com aquelas contas enormes, resultados que doem na alma... ver tudo aquilo cair na conta, avermelhando minhas finanças...mas tudo bem.... tá ficando linda.
E aí vem a brincadeirinha de resgatar os pontos do cartão de crédito: pela pontuação, você escolhe o que quer ganhar: máquina de água á jato, claro...quem não pediria isso, no meio de eletrodomésticos, relógios, eletroeletrônicos..?? E lá veio a máquina de água a jato, pelo correio.
Caixa fechada, não tem jeito: lembra sempre presente, dá aquela sensação gostosa de que esta ganhando algo bem legal...sentada no quintal verde, cheio de árvores e pássaros, com meus gatinhos á volta, o som do rio finalizando a cena bucólica e real, pois eu estava lá, sentada, montando a máquina nova. Parecia uma metralhadora que cospe água fresca com força enorme.



Teste um: liguei a máquina sem ligar a torneira. Correria. Desliga a máquina, para não queimar. Corre para o tanque. Liga a torneira e...
Teste dois: beleza...jato forte, limpando o limo que deixou o chão, em volta da casinha de caboclo, preto e feio... era mais do que hora limpar tudo aquilo, e a chegada da máquina veio mesmo á calhar.
Teste três: madeiras amontoadas durante muito tempo sem mexer, aqui na roça, não é prudente, e na "lavança" toda, vejo no meio de algumas vigas, uma casca transparente na forma da cobra que a soltou ali. Meu coração saltou dos 80 para 180 batimentos por minuto em poucos segundos. A adrenalina já deixou me deixou alerta. Me sentia a tenente Ripley, andando na nave Nostromo, procurando a fera bestial que largara aquela casca no chão.



Lá estava ela...uma jararaca enrolada e nervosa, no meio da madeira, mostrando suas intenções de atacar caso eu chegasse mais perto..mas ela não sabia que aquela metralhadora em minhas mãos seria a arma certa para dar fim na besta... que se esconde no meio daquela madeira toda, forçando a buscar, uma a uma, madeirinha por madeirinha, pela cobra Jararaca.



Confesso que, ao ver o bobo do Bourbon chegando para ver o que acontecia, me deu arrepios. Meu gatinho é muito bobo, muito panaca, mal consegue matar uma borboleta que se debate no chão. Não sei o que eu fiz... castração não é lobotomia... mas ele é assim mesmo. Enorme e, tenho certeza, um nobre representante da família dos Garfields. E lá estava a cobra e meu gatinho Buba (apelido de Bourbon)..eu tinha que fazer alguma coisa...mudei a ponta, e o jato mudou para um leque lindo de água fria, suave mas ruim o bastante para mandar o gato boboca embora.



Agora éramos besta e eu, com meu lança-água á jato, com o bico de novo no tiro certo do jato forte..de madeira em madeira, fomos atrás da pobre da cobra... que no final das contas, aproveitou-se do ambiente e tratou de refugiar-se no meio do mato.



Lição aprendida... tudo limpo.
Nada acumulado.
Tudo fluindo.
É assim que tem que ser...