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terça-feira, 27 de dezembro de 2011

Não comemoro Natal, mas sou uma pessoa legal.

Não comemoro Natal, mas sou uma pessoa legal. Acho que é porque não tem criança aqui em casa e, mesmo se tivesse, fico pensando em como eu posso olhar nos olhos daquele criatura que eu amo e que espera de mim a verdade porque acredita de fato em tudo o que eu falo, que existe um homem assim assim assado, morando no pólo norte.

Aqui só tem adulto, que sabe que Papai Noel não existe, que ele é uma figura vinda de outro país, numa realidade bem diferente (com neve, frio...) da nossa. Não tem ninguém aqui que tenha que dar presente obrigado, só porque a data dita isso. Aqui tem gente que dá presente quando quer e quando pode. Adulto não quer dizer chato, sem espírito esportivo. Não quer dizer que não se divirta com festas populares, com folclore ou mundos em dimensões além da nossa imaginação. Mentir é que é o problema. Se eu acreditasse...se eu...mas não acredito em Papai Noel. 

Não comemoro o nascimento de Jesus no dia 25 de dezembro não porque sou de outra religião, ou porque não tenho religião nenhuma, mas porque para mim, Jesus tem que nascer no meu peito, e não numa data certa, mas sim quando meu peito estiver aberto para isso. Jesus nasce todos os dias, todas as horas. A data 25 de dezembro foi inventada. Ajuda a lembrar Daquele que não deveria ficar esquecido o ano todo. 

Não faço ceia, porque a janta tem hora pra sair, quentinha do fogão de ir pra mesa, já que tem hora pra acordar, e trabalhar cedo, e ficar o dia todo na lida da vida. Na hora da janta, comida boa, santa, feita de tudo o que deu pra comprar e para fazer nesta data de luz, ou seja, todo dia. Todo dia é santa ceia, de comida que abençoa e nutri. Todo dia é dia de agradecer pela vida, pelo alimento, pela chance, por tudo.

Ser adulto não é não ter Espírito Natalino, mas vamos combinar? Espírito Natalino é sagrado, e não tem que ter, necessariamente, esse nome. Chama-se AMOR, RESPEITO, PAZ, FAZER O MELHOR, LEVANTAR E SEGUIR, ACREDITAR. Não tem bom velhinho vestido de vermelho, com barba de algodão. Ridículo. Num país tropical? Todas as pessoas que fazem o bem do dia do Natal podem fazê-lo em qualquer outro dia. Quem nunca fez nada de bom para alguém, pode começar agora, não precisa esperar o Natal.

Desejar que todo dia seja Natal.
Desejar que você receba e dê muitos presentes.
Desejar que Jesus nunca morra em nossos corações.
Desejar que cada pessoa neste planeta possa ter ao menos, uma refeição.
Desejar que todas as crianças do mundo tenham educação, brinquedo e comida, saúde e amor.

Desejar uma humanidade feliz neste planeta lindo, num universo infinito de possibilidades para cada um de nós.

sexta-feira, 9 de dezembro de 2011

Chove lá fora e, aqui....

Hoje eu acordei com aquele som gostoso que a água que cai do céu faz ao tocar o solo verde da montanha. Saí da cama e fui pra sala, sem olhar o chão. Fui louca pra dar com a imagem tão querida do vale branco em chuva. As nuvens pesadas, barrigudas de água, caminham baixas por aqui, despejando o bendito líquido no solo agradecido.

As chuvas demoraram a chegar este ano. Começou praticamente agora em dezembro, coisa que desde setembro deveria estar acontecendo. Eu não sei o que isso quer dizer...é como se eu pudesse ler de diversas formas a mesma coisa. Se as águas demoraram a chegar é porque o planeta esta mudando? Pode ser mesmo que o efeito de nosso desrespeito e orgulho estejam alterando definitivamente as estações? Teremos seca? Enchentes? Não é isso o que se vê o tempo todo na televisão?
Seja lá o fim de algo ou o recomeço de algo, eu sei que as pessoas estão cada vez mais perturbadas. Isso não é ser negativa: é ver os fatos. A violência está em toda parte, embora meus olhos possam ver a Bondade em cada centímetro verde de chão. Na roça ou na cidade, vejo que pessoas sensíveis e que enfrentam dores que ninguém pode ajudar (no pensamento delas) se entregam á morte como última tentativa de paz. Que pena. A desesperança, destruindo tudo à sua volta, não pode ser boa conselheira.

Minha vizinha chegou chorando em casa ontem, Estava me ajudando com a roupa no tanque e vi que seus olhos choravam de tristeza. O sobrinho se enforcou na árvore da praça, na rua onde morava. Faz um mês que isso aconteceu, e a tristeza ainda não esmoreceu um milímetro sequer. Meu peito doeu junto com esta mulher forte e resiliente, com testemunho de vida cheio de estórias para contar. É muito bom ouvir sua voz feminina e sotaque da roça contando as aventuras de quem nasceu e foi criada na vida natural, onde só se comprava na vendinha um quilo de sal e querosene pra "lumiá" a casa. O resto..hum.. tudo se fazia na mãos laboriosas de homens e mulheres que quase não existem mais.

Duas pessoas, no bairro onde minha irmã mora, na cidade grande, se jogaram de seus apartamentos para a morte. Que pena... por quê a sensibilidade nos leva a este ato de dor suprema? O que estamos fazendo conosco? Com nossos filhos? 

Você já parou para pensar nisso? 
Que mundo estamos construindo? Que mundo estamos destruindo?
Que marcas deixamos para futuras gerações? Que gerações são estas?
da simples parece ser uma solução pessoal e intransferível, seja qual for o filtro de minha visão das coisas:

se o copo esta meio cheio, a vida simples vem preencher a outra metade com soluções ecológicas que não danificam o meio ambiente, preservando assim o único meio de trasporte que temos nesta vasta imensidão do céu.
se o copo esta meio vazio, a vida simples me parece o único meio inteligente de enfrentar o futuro, salvando recursos alternativos para os piores tempos.

E ainda não parou de chover lá fora.
Fazer cada um a sua parte, sem se importar se amanhã o mundo vai acabar ou não.

Eu escolho viver.
E viver bem, e melhor, comigo mesma, com os que me cercam e com o planeta que me acolhe.
Eu escolho acreditar.
E você??

quarta-feira, 23 de novembro de 2011

Damien Hirst




Damien Hirst é um artista britanico e terá a primeira retrospectiva de sua carreira na Grã-Bretanha, entre 04 de abril e 09 de setembro de 2012, financiada pela Autoridade dos Museus de Catar, reunindo mais de 70 obras de Hirst. 

For the Love of God, que arrecadou o equivalente a 100 milhões de dólares em 2007 quando foi vendido a um consórcio de investidores incluindo o próprio artista, é um dos seus trabalhos mais famosos e controversos. Um crânio humano com forma de platina, do século 18, foi coberto com 8,6 mil diamantes, incluindo um rosa de 52,4 quilates estimado em 4 milhões de libras (6,3 milhões de dólares). Assim como boa parte da obra de Hirst, a escultura é um comentário sobre a mortalidade, a morte e as forças do mercado.

Até ai tudo bem. Qualquer site de notícias pode comentar muito parecido com o que eu escrevi em cima.
Mas olhar as obras de um artista é uma experiência bem louca, porque é única e intransferível. Pode contagiar, como qualquer emoção faz, como um bocejo... Pode mudar a vida de alguém, ou marcar um acontecimento para sempre. 

Um dia eu assisti um filme de terror, chamado "A Cela". Ideia era bem legal. Uma especialista em autistas entra na cabeça de um assassino em série para saber se consegue ler os pensamentos do moço, que esta em coma e com uma vítima, possivelmente ainda viva, em algum lugar. Na cabeça deste psicopata, ela encontra um universo bem estranho, incluindo (e é ai que eu quero chegar) uma cena onde um cavalo é fatiado em centenas de fatias finas por dezenas de lâminas que saem não sei de onde e, quando se recolhem, o corpo fatiado do cavalo cai em sangue e coisas nojentas espalhadas para todo o lado.
Esta cena do cavalo é muito parecida com a obra de Hirst. Suas ovelhas, vacas, tubarões, nadando em líquidos conservantes é como entrar na cabeça de um artista e sentir o que ele sente quando se fala (em imagens) sobre a morte, a vida...

Olhar sua interpretação de Adão e Eva é, no mínimo, desconcertante. Um exercício de mórbida curiosidade para saber se debaixo daqueles lençóis azuis estão nossa origem bíblica: dois buracos mostram os sexos dos corpos, com seus pelos e tudo. É o que se desvenda de Adão e Eva: o fato de que o casal primevo da humanidade foi reduzido a um impulso sexual, que move a todos nós desde então.

A vaca crucificada numa parede branca me faz pensar seriamente em ser vegetariana. Ver a carcaça escancarada e vazia da vaca, que doou tudo para a humanidade se refestelar, ali pendurada faz pensar, não é??

Então um artista não está no mundo para que estes rompantes artísticos nos perfurem a casca grossa, e nos atinjam em cheio no âmago do ser? 

quinta-feira, 17 de novembro de 2011

piolho de passarinho

Estava combinando com minha irmã, pelo telefone, minha viagem para a cidade. Falávamos sobre frio e calor, roupas para levar, horário melhor por causa do trânsito...tudo tem que ser avaliado numa viagem da roça para a cidade, pelo menos por mim.
Eu esqueço itens importantes, como roupas de baixo, pijamas, chinelinho, calça...escovas de dente, de cabelo. Eu esqueço tudo. Reconheço que devo ter algum miolo a menos neste mar de miolos.


Enfim, falávamos muito, quando ela interrompeu para dizer: nossa, estou ouvindo os pássaros ai da sua casa. EU respondi que os passarinhos estão no forro da casa, e quando os pais chegam com comida no bico é uma barulheira danada. Lembro que falei também que a casa estava cheia destes hospedes plumados e barulhentos e que eu ficava imaginando os bicos abertos e as goelas laranjas gritando por mosquitinhos.
Rimos, e eu me cocei pela milionésima vez.

Então, eles já estavam lá, quase invisíveis, mas em toda parte.
Escorrendo pelas paredes, descendo do forro para os tapetes, camas, tecidos moles e macios que tenho espalhados pela casa toda. Chão de madeira e cimento, cheio de tapetes e tapetinhos formam uma passarela longa pela casa toda, como pequenas ilhas onde estes piratas de sangue roubado ficam ávidos de fome esperando pela vítima quente passar despreocupada por lá.

Corri com sprays, destes de matar baratas, nas mãos. Um tubo daqueles, sem SFC, á base de água e terrível contra os insetos, mas só contra os insetos, foi despejado sem dó nem piedade nas paredes de tijolos, que se cobriam com centenas destes monstrinhos vorazes. De manhã, ahhh doce surpresa, quando eu passei as mãos na mesa e elas voltaram repletas de corpos mortos e minúsculos do inimigo.

TEM MUITO PASSARINHO fazendo ninho no forro da minha casa. Fui aconselhada e não me desesperar, que vida na roça é assim mesmo e que as bolinhas pequenas e vermelhas que coçam, pelo corpo todo, só duram 15 dias.

Sinto as pestes no meu couro cabeludo, nas entranhas da calcinha, atrás dos joelhos, na nuca branca e arrepiada de nojo.
Agora o Maluah chegou e vai ajudar.
Cavaleiro branco da roça, vem de moto pra trabalhar na Santa Roça. Vai espalhar pelas paredes veneno ecológico (veneno eu não sei se é algo tão ecológico assim... afinal chama-se veneno e acaba matando, eventualmente, quem se colocar em seu caminho, não respeitando nada nem ninguém...vai matando tudo, né??? )

Mas atente para algo: o veneno NãO vai fazer mal aos pequeninos plumados, que continuam abrindo desmesuradamente suas bocas para ganhar o pão de cada dia. Não. O veneno matará tão somente ácaros, pulgas, formigas, carrapatos e piolhos.
Posso ouvir enquanto escrevo os pássaros no forro.
Tem famílias inteiras, de várias cores e formatos, tudo habitando o forro da minha casa.

Vou pegar o conselho de não me desesperar e ver se consigo segui-lo.
Afinal, vida na roça é assim mesmo... ou não é???

quinta-feira, 10 de novembro de 2011

... e por falar em gente

... tenho um vizinho que está chamando a atenção do bairro ultimamente.

O pai tem um restaurante em São José dos Campos.De 3 em 3 dias, os funcionários vinham pra roça, largar aqui no sítio dele os tambores gigantes repletos de restos para os porquinhos, que depois de alguns meses iam para as panelas do dito restaurante, e o que sobrava deles vinha em tambores gigantes para alimentar os novos porquinhos que corriam roliços pela estrada de terra que dá na minha porteira.

Até aí tudo bem. Ruim era o cheiro do que sobrava disso tudo, junto com os dejetos suínos...que ía tudo pro rio que margeia muitos sítios aqui na região. Cetesb, IBAMA, polícia ambiental...meses de telefonemas, raiva, descrédito, e os técnicos do meio-ambiente finalmente vieram e intimaram a limpeza, a ordem naquela pocilga.

Meses depois o filho do dono do restaurante sai da cadeia. Vem pra roça, pra não criar encrenca para o pai, que tem medo dele.

Fica lá na casinha suja, que nunca levou uma tinta naquelas paredes velhas, de muitos e muitos anos de estória vividas com os humanos que nela habitaram. Consome crack, bebida. E dá tiros pro alto, pro lado.

Vem policia, mas não pode entrar, porque ainda não viram nada estranho lá..só denúncias que ninguém entende porque não surtem efeito junto ás autoridades, que alegam não terem provas para pedir um mandato de busca atrás do danado do revólver do moço.

Estes dias criou encrenca com os vizinhos de frente, que desde a época que ele ainda usava fraldas usam água que vem pródiga do alto da montanha, do lado do dono do restaurante. "-Saiu o cano da mina, Paulinho. Deixa eu entrar pra arrumar?".
O diabo do moço cortou o cano, e com o revolver na cintura ameaçou o João de morte caso tentasse entrar pra arrumar.
Não adiantou ligar para o dono do restaurante... é pai mas morre de medo do orc do filho.

Por que fazer isso, né??
Eu fico aqui sozinha no alto da montanha. Triste porque agora fico como na cidade..com medo de bala perdida. E eu não vou deixar isso acontecer. Não mesmo.


Por isso eu digo que tem hora na vida que enfrentar faz parte da estória.
Tem hora que ficar quieto é o mais inteligente, mas com arma não se brinca.
E eu acredito no invisível, sabia?
Confabulando com a Natureza, podemos mudar muita coisa.
Hoje acendi meu fogão a lenha..coloquei intenção na chama que queima tudo o que é ruim.

E como disse Dumbledore: "è claro que esta acontecendo tudo em sua mente, Harry...mas por que significaria não ser real?".
Me armar de força pra "lutar", sabe??
Assim fica mais forte minha intenção de agir neste mundo aqui, lidando com orcs em forma de gente.
ahh roça..
te adoro.

terça-feira, 8 de novembro de 2011

Bendita roça

Sabe, viver na roça nunca foi fácil. Vida diferente daquela que vivia na cidade, longe da Natureza, achando que mato era só para bicho...e bem longe.
Depois que eu vim pra cá, achei o contrário. Natureza é a vida mais próxima da realidade, fugida de um monte de concreto, na matrix louca que faz o tempo correr, e eu junto com ele.
Agora eu vejo as coisas novamente de outro jeito.
Natureza: estamos desconectados dela. Mesmo morando aqui, a vida hoje em dia está estruturada para asfalto, vida plugada numa tomada.
Cidade: matrix, com certeza. Loucura total, apesar de cinemas, comidas de todos os lugares do mundo... Matrix.
Mas o que eu encontrei "comum" aos dois universos chama-se GENTE.

E aí, eu não sei onde fica pior encontrar pessoas de todo tipo: se na roça, onde podemos ter mais distância uns outros, ou se na cidade, quando vivemos grudados casa com casa.
Gente é ruim ou bom?
Gente é o grande desafio da vida.
Vizinhos, amigos, tudo com opiniões diferentes, formas diversas de viver em comunidade..uns mais simpáticos, outros mais duros, alguns mais alegres, outros depressivos. Aí tem os doentes de várias patologias, os maluquinhos, os que gostam de THC e os que não gostam. Os que procuram Deus numa igreja ou nas explicações de um semelhante, ou os que encontraram Deus na flor ou no regato.
Tem crianças de todas as idades, do 0 aos 100, tem adultos de todas as idades, do 0 ao 100...afinal eu já conheci crianças mais maduras que muito adulto avô por ai.
Tem gente que anda armado, em cidade ou roça. Armado de revolver, de palavras duras, da falta de perdão, de julgamentos.
Tem gente que não respeita a idéia do próximo, que não entende a ideia daquele que pensa diferente...
GENTE...gente que maltrata animais, gente que maltrata gente, gente que só gosta de bicho e gente bicho.

Saber viver na roça tem como saber... tem ajuda de manual... vem tudo explicadinho no verso dos produtos pra horta..vem tudo marcado no verso. Na cidade também. É só olhar os outros num supermercado, você vai descobrir que tem que pegar os produtos, por num carrinho, passar pelo caixa e mostrar aquele monte de papel para sair com aquilo que vc quis na mão.

Saber viver com bicho também é mais fácil. Eles são sempre os mesmos, fazem sempre as mesmas coisas, reagem praticamente do mesmo jeito sempre que estão em perigo, ou caçando, ou fugindo. Pêlo arrepiado, espinhos levantados, rosnados e grandes rabos preparados para atacar ou defender. Atacar é dificil, sem ser atacado primeiro. Coisa de bicho, que se pode, sai correndo.

Gente não. Gente não vem com manual, não tem rótulo com explicação, não é só olhar pra saber como lidar, porque somos absolutamente diferentes uns dos outros. Fomos criados por familias diferentes, com crenças diferentes, com medos e explicações cada um de acordo com seu entender e querer.

Gente é diferente. Leva-se eternidade para lidar bem com alguém, e quando isso parece que vai acontecer, morre-se. A vida passa bem depressa, e o lidar com gente é lento, inexorável.

Ás vezes, lidar bem significa deixar que o tempo e a vida mostrem como deve ser o certo.
Outras, a posição firme e forte, ainda que com risco de vida, deve ser tomada, defendida.
Hoje corre, amanhã enfrenta.
E isso quem decide é a própria pessoa que esta vivendo.

E na hora de escolher que palavra dizer, que gesto fazer, pensar bem. Pensar se eu gostaria de ouvir aquilo que vou falar..pensar se eu gostaria de viver aquilo que eu vou fazer a outra pessoa passar. Ou seja, na hora de lidar bem com tanta diferença, o melhor mesmo é olhar para o interior da alma. Fazer o melhor que estiver ao meu alcance, já é o bastante.

Pois uma coisa é certa, na cidade ou na roça: eu estarei comigo mesma. Só isso. Simples assim.

Gente muda de estação, muda de casa, muda de prioridade.
Eu não. Eu estarei sempre comigo, até o final.
E eu posso dizer de barriga cheia: meus olhos, com os problemas e as diferenças que as vezes causam tanto stress, olham para a montanha verde, para a Natureza exuberante, para o céu grandioso, para o rio que corre, e eu me acalmo. Minha alma descansa.
Viver, para mim, é mais alegre, colorido e saudável quando meus olhos podem ver tudo isso.



terça-feira, 25 de outubro de 2011

O Porco-espinho na madrugada estrelada

Ontem eu estava super cansada.
Acordei cedo, fiz café... cuidei do papai, lavei roupa, cuidei de várias refeições (com suco natural a tarde toda), fiz mais café e assim foi até 21:30.

Meu pai no banheiro..eu já estava falando para ele escovar os dentes... e foi só isso. O Resto foi loucura. Primeiro latidos doidos. Melão e Cuíca começaram a gritar..uivar..eu sai gritando da casa, pois eu sabia que algo estava acontecendo.


Deu tempo de ver a segunda onda de espinhos que o porco-espinho lançou neles. Coitados. Gritavam e esfregavam os focinhos no chão.
Cara, eu sou urbana. Vivo na roça, acho tudo lindo, maravilhoso, mas meu espírito é criança ainda na vida no mato. Ver meus cães daquele jeito foi horrível. Catei a Cuíca e arranquei alguns do focinho dela. Não deu mais, por causa do sangue que escorria, deixando tudo escorregadio. O porco-espinho estava pendurado na corrente da água da calha... estava lá, penduradinho, nervoso com aqueles monstros gritando e mordendo ele, justo ele. 

Bicho mais esquisito. Todo amarelo, parecendo de borracha...aqueles longos espinhos emborrachados.

Era tarde na hora que eu liguei pro veterinário. Ele já estava dormindo e disse que não poderia vir. Estava em outra cidade. Mas ligou para um amigo, que mora perto. Manda ele, agora. Ele veio. Cara de sono, óculos mal colocados no rosto jovem. "-Tudo bem...vivo disso!!". Achei graça.

Subimos a montanha na noite que foi uma das mais estreladas do ano.

Primeiro a Cuíca. Uma porta serviu de mesa, uma corda segurou o soro, uma gilete raspou os pelos da linda, que tremia. Não se mexeu, porque confia em mim. Mas tremia. Foi caindo no meu colo enquanto o anestésico ia fazendo efeito. Tirou 16 do céu da boca. focinho. boca.

Depois o Melão. Tirou muitos também. Foi tão bonzinho que o veterinário cobrou menos... :)
Ficaram os dois na lavanderia, para que quando acordassem não saíssem por aí, grogues. Podiam pisar numa cobra, cair no rio, vai saber... 

Ficaram lá, um deitado perto do outro, sem espinho nenhum. Aliás, ficou um espinho no queixo do Melão. Vai ficar com ele lá. Então vai inflamar. Tomou agora remédio para não doer. Tomou anti-inflamatório para não deixar pus no bocão.

Antes de sair, o veterinário ainda saiu comigo pelos redores da casa. Noite linda. Lanterna na mão. Olhamos telhado (o porco-espinho ficou por lá um tempo, mas já tinha saído), chão..tudo. Não era para o porco aparecer de novo. Vamos ver.

Hoje correram, brincaram, comeram. Não lembraram da noite ruim.
Mas quer saber? 
Que experiência.
E que maravilha, morar aqui no mato, ligar de noite alta para um veterinário e ele aparecer na noite, como um cavaleiro branco.
Vem pra roça, vem...



sexta-feira, 14 de outubro de 2011

Os amigos do Brasil

O telhado de minha casa aqui na montanha está repleto de pássaros de várias espécies, atarefados com seus filhotes, a manutenção no ninho, limpeza, gaviões.
Da janela do escritório tenho a visão do paraíso em seu dia-a-dia. Movimentado por aqui. O tempo todo.

Ontem, um dos pássaros tomava banho na sacada. A poça de água, pequena demais, serviu muito bem de banheira. Pensei nas muitas formas de pássaros nas montanhas da mata atlântica aqui do sudeste ou nas vastas florestas tropicais, como na Amazônia.

Dia 10 de outubro morreu Adrian Cowell, o maior documentarista da Floresta Amazônica, com 77 anos, 50 dos quais dedicou a filmar e registrar questões de preservação e destruição, conflitos de terras, a situação dos povos indígenas, sertanistas, garimpeiros e fazendeiros. As sete toneladas de filmes de seu acervo estão na PUC de Goiás, onde pode ser apreciada por quem se interessa pela estória da maior floresta tropical úmida do mundo, com meio século de lutas de várias formas dos povos da floresta e dela própria, ponto fundamental da ecologia no planeta.

O mundo fica mais triste, mas por pouco tempo. Novos amigos do Brasil se juntarão á luta de preservação deste que é um dos maiores Patrimônios Verdes do Planeta, assim como em diversos biotipos do nosso planeta azul, a Terra, 3º planeta a girar em torno de única estrela, o Sol, na Via Láctea que navega veloz pelo Universo. É nosso único meio de transporte, de alimentação, de segurança no Universo inteiro... e não sabemos cuidar.


quinta-feira, 13 de outubro de 2011

Ai que raiva que dá quando alguém destrói a Natureza


Aqui na roça se vive as conseqüências de seus atos como em qualquer lugar.
Se você passar a enxada de forma errada na estrada de terra, na próxima chuva a água vai levar terra embora, abrindo o buraco que você deixou lá, causando erosão. Para mexer numa estrada de terra, tem que conhecer da coisa. Eu vivo numa APA, então não podemos usar máquinas, abrir espaço pela mata, nada disso. Temos que agir de forma legal. A estrada de terra que fica dentro de casa foi aberta na enxada, de forma caseira, lenta e inexorável.iA polícia ambiental esteve no sítio. Disse onde podia, onde não  Não derrubamos uma única árvore, e não deixamos a terra em carne viva, vermelha, exposta. Foi tudo feito pensando na vida em torno, no conforto de todos os seres que andam por lá.
Quando tem bicho do mato passando, o carro pára, espera e observa. Silencioso, deixa o lobo guará passar, lindo e ruivo.
Na beira de riachinhos e córregos, a vegetação não é mexida. Não se corta, nem se "limpa" beira de rio. Fico ouvindo os "das antigas" daqui dizendo que é preciso limpar a beira do rio, como se lírios e outros "verdes" fossem "sujeira", sabe?
Meu vizinho de frente fez isso. Fomos falar com ele. Nada de novo. Xingou, reclamou, virou a cara. A margem "dele" do rio está cheia de areia, e a água do Rio do Peixe já levou boa parte da terra embora. Estes dias queimou a vegetação, numa queimada assassina e burra. Assassina por motivos óbvios, e burra porque na chuva que vier (e ela virá), a água vai levar mais um tanto da terra. É triste de ver a desolação do outro lado do rio.
Ai houve a denúncia. Do "meu" lado do rio, saiu gente com foto. Já ligamos para polícia civil, ligamos para a policia ambiental, ligamos para o prefeito.E sabe como acabou?? Pizza.
Parte da terrinha estragada do vizinho foi vendida. O novo proprietário "limpou" mais ainda a beira do rio, plantou estacas e levantou um barraco. Fossa na beira do rio, desmatamento, ruídos que espantam animais. Ninguém faz nada. Nenhuma autoridade toma conhecimento. O barraco está lá. Eles estão jogando tudo no rio.
Agora de manhã ouvi o som do trator..passou pela terra, descarnando ela, jogando pela beira as árvores que estavam "no caminho". O Danado do vizinho do outro lado do rio abriu uma estrada em menos de 20 minutos. O telefone que queimou em denúncias jaz na base. Não adiantou nada. As várias policias, a prefeitura... não veio ninguém.

Em quem acreditar? Em políticos? Como podemos mudar isso?
A única "arma" que eu tenho é a denúncia, e eu já acionei essa arma. NÃO ADIANTOU DE NADA.

Sabe, eu quero acreditar. EU QUERO MESMO.
Mas o ser humano, meu Deus!! Lento demais na sua evolução. Lento demais em mudar atitude. Gerações são necessárias para que algo pequeno mude.
Acreditar é tudo o que eu quero.
Acreditar que vai dar certo, apesar dos homens.

quinta-feira, 6 de outubro de 2011

OBRIGADA POR TUDO, SR. JOBS