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segunda-feira, 7 de fevereiro de 2011

A Vida sem televisão

Quando eu trouxe meu pai aqui pra roça passar uns tempos comigo, eu não sabia como ele se sairia semanas sem televisão, sem rádio ou internet.

Na verdade, também não sabia como eu me comportaria sem internet.
A casa no alto da montanha é mais tecnológica. Quando funciona, tem internet e telefone, tudo via rádio. Tem tv a cabo, SKy, pra ele se divertir com Geographic Channel, History Channel e Oprah Winfrey. Mas também tem escada, tem água que sobe 150 metros montanha acima, com uma bomba. Que não esta funcionando direito.
Aí eu pensei, que com cadeira de rodas, necessidade de muita água, era melhor ficar na casinha de baixo, onde tudo é mais simples. A água vem da mina, por um cano de borracha, e deságua numa caixa grande. Tudo ótimo.
Lá a vida é mais na natureza, ouvindo os sons da mata, da chuva, e dos pequenos animais que estalam nas paredes, como se elas tivessem vida. E tem.
Casinha antiga, de mais de 60 anos de vida, construída com tijolos queimados pelo próprio dono do terreno, que construiu sua casa que dura até hoje.
Tem as melhorias que fizemos, integrando o banheiro com a casa.
Na verdade, uma digressão, já que falei de banheiro. Meu sonho de banheiro é bem parecido com o do Alceu Valença. :)
Tem cozinha com fogão a lenha, também integrada á casa.
E foi nesta cozinha que passei boa parte do tempo, com janelas e portas abertas, ligada nas coisas da rotina de ver roupas, comida, limpeza, mas ligada também no verde, no cheiro maravilhoso do verde molhado, dos sons que vem dos córregos, tudo direto, por semanas a fio. Acordar com os jacus fazendo barulho no quintal, os cães correndo atrás, inutilmente tentando alcançar estes pássaros enormes, pretos e barulhentos... :)
Uma vez por ano, por algumas semanas dá pra ouvir um pica-pau solitário, bicando vigorosamente numa árvore, fundando assim seu ninho. O resto do ano ele some.
Maritacas, papagaios, araras, tucanos.
Estes dias um muriqui filhote foi visto nas árvores da praça da cidade. Ainda não decidi se isso foi bom ou não. Saber se o macaquinho veio por fome, se tem gente alimentando animais, o que é expressamente proibido; se os macacos estão chegando pra cidade por não ter mais matas para eles, ou se foi um feliz acidente de um macaquinho fujão e curioso com aqueles seres coloridos e barulhentos lá embaixo, no chão.
Antes do ano novo, aluguei a casinha para uma familia de São Paulo, que queria paz e tranqüilidade.
Hoje passei de manhã e vi o Roberto com um aparelho nas mãos e um fone de ouvidos, captando os sons da roça com sua tecnologia importada, já que é Engenheiro de Sons.
Ele estava encantado com os sapos, aliás tem um morando dentro da casinha. Avisei a eles que era a Narceja, uma sapinha inofensiva. E que, se encontrarem um cocozinho fino e bem escuro, é dela. Quando o coco do sapo seca, ele esfarela e vira casca de inseto, de besouro, diversos exoesqueletos não digeridos.
Agora papai esta vendo televisão, vendo a Dilma
andar de carro pela esplanada do planalto central do país.
Continua os sons da Natureza, no entanto, como os mais agradáveis e necessários ao ser humano.
Agora na casa de cima tenho internet, blog, outros sons me chamam a atenção.
Mas quando eles se forem, nós dois voltaremos ao paraíso verde, onde não tem televisão, nem rádio.Vou ficar mais umas semanas ausente na net. Tudo bem. :)
Desejo a todos um ótimo ano. Que 2011 seja repleto de novos sons, novos cenários, novos caminhos, novas estórias, novos movimentos para todos nós.

Krenten Brood

Sem televisão e sem rádio e net fica até fácil entender porque a culinária acabou sendo um ótimo passatempo na roça, agora que os dias são quentes, mas incrivelmente chuvosos.

A estação chuvosa começou tarde, com quase 2 meses de atraso. Agora vai chover muito. Hoje, por exemplo, não vejo a montanha da frente. Tudo é branco, e sem vento a água vai caindo sem parar, como uma parede.
Na casinha, meu pai começou a lembrar da infância na holanda, antes e depois da guerra. Falava dos pães que sua mãe fazia e da alegria que daria a ele fazer uma receita.
Fomos na cidade no dia seguinte, na segunda de manhã bem cedo.  Acontece que em São Chico, tudo fecha nas segundas. Ou quase tudo.
A padaria da Carmem esta aberta; Graças a deus. Ela é padeira, confeiteira e poderá me vender os ingredientes.
Dito e feito. Pra que você quer tudo isso? Expliquei: Meu pai quer fazer uma receita de Krenten Brood, um pão holandês da infância dele, uma espécie de panetone.
Krenten Brood, repetiu a Carmem, com cara de curiosa.Eu também estava. Animada.
Vamos então, sr. padeiro. Vamos pra casa fazer Krenten Brood.

A receita é grande. Confesso que fizemos a receita 3 vezes já. O segundo ficou sem crescer. Decepção. Vinha gente e papai ficou triste, como uma criança que não ganha presente no natal. Tínhamos farinha, fermento e frutas cristalizadas. Faríamos uma terceira vez.
Que bom. Deu certo.

Um quilo de farinha branca, misturada com dois saquinhos desses de fermento para pães. Misturar tudo com meio litro de leite morno, um ovo inteiro batido, frutas cristalizadas (eu coloquei 500 gramas, pois meu pai queria muita fruta), com uma pitada de sal.
Vale falar que não é panetone. É pão!
Vai para um lugar morno, numa bacia depois de sovadinho, coberto com uma toalha pra não pousar mosca, e deixar descansar por 40 minutos. Depois sova mais um pouco, separa em formas e deixa crescer mais uns 40 minutos, no mesmo lugar quente.
Eu costumo untar as formas com manteiga, farinha, coloco metade da forma com a massa do pão e deixo crescer no forno morno, mas desligado. Aí ligo o forno e é mais uns 45 minutos.
Passa manteiga, geléia, mel, queijo para quem gosta de misturar salgado com doce, algo que eu simplesmente adoro.

Falei pro meu pai que postava a receita aqui. Ele concordou.
Foi uma alegria fazer o pão com meu pai, um bom velhinho, sem dúvida. Estes dias de chuva,
ficarão em minha alma para sempre, como um presente do Universo.

Com café pretinho, feito na hora, ok??

Era ou não era espírito??

Nem eu vou ousar responder. estas coisas são difíceis de ter uma resposta certa, definitiva.

Eu poderia contar muitas estórias de visões, aparições, mas mesmo assim, seriam reflexos da minha memória, que poderia estar sob efeito de alguma droga (:)), ou impressionada com algum evento, sei lá. Nem sempre o que vemos ou ouvimos é interpretado corretamente por nosso cérebro.
Eu já andei no escuro em lugares lá na roça que, durante o dia era uma coisa, mas de noite... putz...dá medo. E não é por nada, nem por gente má que ronde o local. É medo do que não se vê, do desconhecido.
Eu sei que desta vez, participaram da estória meu pai, o que não quer dizer nada, pois por causa do Mal de Parkinson, meu pai toma remédios  que, com o uso prolongado, causam visões, alucinações. Mas além dele, o Melão, meu super cão bobão e eu.
Foi assim: eu estava no tanque, lavando roupa míuda para secar nos espaços de sol que se abrem pouco aqui no período das chuvas. Esfregava com vigor quando ouvi meu Melão latir e abanar o rabo. Uma voz disse algo que eu não compreendi. Só reconheci a última palavra: "...cachorro!". Puxa, quem será que esta ralhando com o Melão?? Fui pela sala, ví que meu pai também tinha ouvido a pessoa, o Melão ainda estava na mesma posição, meio impertigado, abanando o rabo e virado para o lado de onde a voz tinha vindo.
E olhei, gritei Oi e nada. Dei a volta na casa, pois pensei que talvez a pessoa tivesse dado a volta ao me ouvir lavando roupa do tanque. Nada.
Entrei na casa, e disse: "-"que estranho, pai. Achei que alguém tivesse falado alguma coisa. Juro que ouvi. Mas devo ter me enganado".
Não se enganou não, disse meu pai. Eu também ouvi, e estava reclamando do Melão, que latiu quando "ele" chegou.
Putz.
Sim, era isso mesmo.
Meu pai também tinha ouvido a mesma coisa que eu.
Voltei para o tanque, mas uma boa parte do dia eu fiquei arrepiada, olhando para as árvores, ouvindo os sons que vinham de fora.

Melão ainda abana o rabo para o invisível de vez em quando, mas eu já não vou mais lá fora procurar. Espírito ou gente viva, na matéria, eu não me importo. Se quiser falar comigo, vai ter que me chamar. Bater palma, gritar olá!!, qualquer coisa que defina um chamado.

Afinal, tempo é precioso, mesmo na mata.

O avião que caiu no mato!

A polícia do sub-distrito foi avisada que um mono motor havia caído perto da cidade, numa área de difícil acesso, no meio da serra da mantiqueira, lá na grota funda. E que olhassem tudo, pois havia a possibilidade de uma maleta, com mais ou menos um milhão de reais, fruto de contrabando.

Saíram em dois carros. Um na frente se destacou do outro, acabou chegando primeiro.
Quando os outros policiais chegaram, viram o que chegara mais cedo, dizendo que piloto e co-piloto já estavam mortos. Revistaram tudo, avião, o terreno em volta, e não acharam nada.

Voltaram para a delegacia, sem maleta, mas com o relato do local da queda, os corpos, localização (ainda não tinha GPS), e nova turma de busca foi feita.

As semanas passaram e, depois de muito interrogatório, os soldados foram dispensados.

Os anos passaram. O soldado não é mais jovem. Envelheceu, como todo mundo. Anda pelas ruas da cidade, de camisa aberta no peito, boné, óculos escuros, chinelos de dedo, um palito na boca, (nojento!), e um sorriso perpétuo no rosto queimado de sol.
Anda de cabeça erguida, depois de estacionar seu carrão importado do lado do cavalo do seu Zé, do açougue.

A filha tem uma loja na rua principal da cidade. Não vende muito, mas está firme no negócio. Alugou a lojinha do lado, onde vende móveis, numa concorrência às casas Bahia, líder em vendas na roça de meldeus.

Em conversa fiada, sempre reclama da vida. Comenta como os preços estão caros e como é difícil a vida de aposentado da polícia.

Putz... verdade eu não sei se é.

Mas a estória me rende muito tempo sentadinha na praça, tomando sorvete e olhando pro carro preto, lindo, estacionado em frente da loja da filha.

Adoro morar no interior.

Tão diferentes e tão iguais.

James Mollison é um fotógrafo queniano, fotografou crianças e macacos, entre outras coisas.

Constatou que assim como nós, os grandes primatas tem um rosto diferente do outro.

Assim como nós, cada um leva no corpo aquilo que é no interior. Tudo bem que, quem vê cara não vê coração. Mas é inegável que trazemos em nosso corpo marcas daquilo que somos por dentro.

E que lidamos mais com as diferenças físicas do que as espirituais nas escolhas de nossos companheiros de vida, sejam amigos ou amantes.
Fiquei pensando nas escolhas que fazemos, o que levamos em consideração num primeiro momento, num segundo momento?
Como fazemos nossos julgamentos pelo tipo físico e quão consciente isso é .

Acho que o que vemos no físico. Uma pessoa carrancuda não me atraí, enquanto que um sorriso pode fazer milagres.
Um rosto simpático pode atrair multidões, apenas por estar ali, simpático.
Não quer dizer que vai ser honesto, ou violento, que matou ou fez rir alguém.
Apenas atraí mais.

Cuidar do que mostramos em nossas expressões...cuidar de nossas expressões. Escolher aquelas que eu quero que moldem meu rosto.

Pensei também naquilo que somos e escondemos, até de nós mesmos.

Gente é um bicho louco.
Tem gente de todo jeito e pra todo gosto.

Tão iguais e tão diferentes, ne??

sábado, 11 de dezembro de 2010

Carmelitas descalças

Estes dias ví na televisão, aqui na casa do meu pai, uma reportagem sobre religião e suas diversas manifestações entre as culturas.


Os polinésios, os asiáticos, europeus, a religião nas américas... No final, deu aquela impressão de que somos filhos mesmo de um mesmo pai, só que de mães diferentes, sabe?? Ninguém se entende, "criação" diferente para cada mãe.
Lembrei da minha época de escola. Na adolescência, quando a vida que pulsava naquele corpo jovem parecia que não se acabaria nunca. Eu pensava que na velhice eu seria uma velha com a mesma energia de quando fora adolescente... Não percebia, naquela época, que o inevitável chega, sem que tenhamos muita participação neste ponto. A não ser, é claro, quando a consciência desperta mais cedo, faz com que este adolescente viva de modo a deixar reflexos positivos para o futuro . Comer, transar, beber, exercitar-se, comprometer-se, tudo deixa marcas no corpo, que se refletem no futuro.
Minha liberdade de escolher o que eu como, como eu como, é minha.. Ninguém pode tirar isso de mim. Só eu mesma posso abrir mão. E, porque a liberdade de ir e vir sempre foi tão importante pra mim, é que eu fiquei PUTA naquela tarde.
Era pra escola. Um trabalho que eu já nem lembro mais para o que era. Quem foi que pediu aquilo? Foi o professor de Português? Sei lá.
Eu sei que eu fui com uma amiga minha fazer uma entrevista num convento de freiras carmelitas descalças. Cheguei na porta de madeira maciça, com uma pequena portinhola engradada na altura do rosto. Estava fechada com a portinha pequena de madeira. Ainda parei em frente uns 20 segundos, perguntando "Bato ou não bato"?? Bati.
Nada. Nenhum som de passos.. não se ouvia um ruído sequer. Bati novamente, desta vez mais alto, e por mais tempo. Deu certo. Sons atrás da porta maciça mostravam que elas haviam ouvido.
Nhec..fez a portinha. Meu coração batia forte..que emoção...uma freira carmelita descalça.. Esta ordem eu sabia que havia sido criada para clausura. Elas entravam na ordem, se consagravam freiras e nunca mais veriam o mundo exterior.
"-Sim??"
Achei que fosse encontrar uma freira velha, encarquilhada, monumento antigo de uma ordem já falida. Ledo engano. A portinhola aberta me mostrou uma senhora jovem, sem nenhum traço de ruga ou problema.
"-Sou da escola tal. Me chamo tal e gostaria de saber se voces podem me daruma entrevista para a escola sobre a ordem de voces e de como é sua vida ai dentro."
A portinha se fechou e eu aguardei longs minutos pela resposta. A porta grande e pesada então se abriu silenciosamente, e eu fui convidada a entrar em um recinto grande, com o chão limpo demais. Quase nenhum móvel no local.
Apenas uma porta aberta nos fundos da sala, que dava para outra sala, desta vez com uma separação no meio. Era uma cela. Eu ficava do lado de fora, sem chance de entrar na cela. E por outra porta, entraria uma freira da ordem, sem chance de sair da cela.
Ficaríamos sentadas, uma de frente para a outra, sem podermos trocar de lugar.
A irmã que me conduziu á cela me disse para aguardar um pouco que a irmã "tal" (esqueci o nome da moça, faz tanto tempo já) estava se preparando para a entrevista.
Sentei e aguardei com meu caderninho e caneta em punho. Eu estava preparada.
Dali a pouco a irmã tal entrou. Vestida de preto, com o hábito conhecido pelos filmes. Sentou-se no banco, dentro da cela.
Perguntei porque ela estava lá. Estava lá porque havia recebido o chamado de Jesus. Aceitou de bom grado o "telefonema divino" (palavras minhas), e casou-se com o Cristo, vindo a morar na santa residência das Carmelitas descalças, depois de doar absolutamente tudo o que tinha. dinheiro, sapatos, roupas, brincos e colares, pertences pessoais, lembranças do passado, tudo ficou para trás.
Não saía do convento há alguns anos.
Perguntei das compras. Quem comprava escovas de dentes? comida? quem saía?? funcionários do convento, foi a resposta.
Quem pagava a conta?? A igreja, é claro.
E o que faziam o dia todo?? todos os dias?? rezavam.
Só?? Faziam também trabalhos manuais para ajudar na caridade.
E o que mais?? rezavam mais.
Estourei.
Ali sentada eu pensava nas crianças abandonadas no centro da cidade, sem caridade alguma de ninguém. Nem de mim, nem de ninguém.
Nem delas. Elas não punham as mãos em ninguém. Não se sujavam com nada. Eram mantidas na clausura, longe do mundo, ajudando à distância com suas rezas.

Eu era menina. Aquela força louca de vida explodia em mim, e a visão da entrega silenciosa daquela mulher me doeu. Que pena, eu pensei. Agradeci e levantei, pensando o que faz com que uma pessoa escolha, por vontade própria, isolar-se do mundo, numa caixa de cimento, no meio de uma metrópole, sem ver mais seus semelhantes nas ruas, sua familia...
Pensei nas escolhas que fazemos e como levamos vida afora o peso destas escolhas nas costas.
O que comer, o que vestir, o que seguir de profissão, o que fazer de nossas vidas preciosas esta em nossas mãos.

Respeito pela opção alheia. Difícil este respeito. Demora mais para surgir em mim quando é nestes casos.
Hoje eu respeito, embora não aceite.
Hoje eu sei que cada um segue aquilo que pode, que sabe e que escolhe.

Eu não quero clausura... quero usar tudo, brincar em todos os brinquedos.
Quero viver minha vida de modo que, quando eu morrer, não cantem para mim Epitáfio, com os Titãs... Eu vou amar, chorar, ver o sol nascer..até o fim.

quinta-feira, 9 de dezembro de 2010

Tryvertising - O Clube da Amostra Grátis!!

Fazia tempo que eu havia lido numa reportagem, na net mesmo. Adoro fuçar por aí.



Voce já imaginou levar para casa produtos que ainda não saíram nas prateleiras?? 
Pagando R$50,00 por ano, um pouco mais 
de R$4,00 reais por mês.

Fica na Vila Magdalena, lugar gostoso demais de ir. 
Na rua Harmonia, 213, lá embaixo.. E lá fui eu, Fiat Uno modelo antigo, sujo de barro, por todo lado. Inclusive dentro dele.

Não que eu não lave meu carro. Eu lavo, muito esporádicamente. Para mim é desperdício de água, sabão, braço e tempo. Não gosto de alisar lataria, de polir metal, de deixar borracha preta brilhante. E vivendo na roça, em época chuvosa, é quase piada de interior falar de carro sujo de lama... Todo mundo exibe seu carro vermelho de terra grudada ... off-road da roça.

Parei numa vaga, meu cristo redentor, na frente da loja... "-Isso é sorte demais..Vila Magdalena depois das 10 hr, que é quando a loja abre, não tem lugar pra pensar em estacionar...e os pequenos espaços vazios se transformam em pequenos estacionamentos que se lotam de carros. Na roça, o pessoal constrói as varandas para receberem os carros. Fica lá, no mesmo espaço que a rede de descanso, que o vaso na varanda...chique.. 

Lá dentro tem ar-condicionado.. Thanks God...um calor danado, que vem do chão cimentado, do lado, do vento parado, dos 31º. 

Mas prateleiras não tem tantos produtos como os anunciados. Mas mesmo assim, tinha coisas novas nas prateleiras. Shampoos, cremes para cabelo, Condicionadores, comidas, para gente e para pets, coisas para casa e cozinha, lazer, aparelhos eletro eletronicos, revistas, e coisas para artesanato..

Foi uma novidade em minha vida. Peguei o que eu queria, seguindo as regras da casa:
podemos pegar 5 produtos ao todo. Destes 5, um pode ser vermelho, dois podem ser amarelos e três podem ser verdes. São os códigos da lója nos produtos. Os mais caros tem tarja vermelha, portanto os amarelos tem preço médio e os verdes são os mais baratos.

Vou fazer uma experiência de um ano. Minha obrigação é responder aos questionários on-line sobre os produtos que levei. Coisa fácil de fazer, que vira festinha de um dia, sabe??

Comer as bolachas em um lindo platôô, de cabelos lavados e tratados com cosméticos novos, vendo minha irmã com a roupa que ela pintou com a tinta que pode ser usada em água fria....Foi demais!! Gostei.

Vou brincar um ano deste brinquedo. Vou ver o que vai dar....

terça-feira, 30 de novembro de 2010

O Dia do Saci

Se já contei, foi de relance... vai aqui a estória toda.
Que começa como muitas das estórias daqui. Foi num dia comum, faz um tempo já, que eu saí do sítio pra fazer compras no supermercado principal da cidade. Mas era segunda-feira, e eu esqueci que "de segunda eles fecham, porque abriram de domingo". Que fazer? Pão na padaria, quitanda tem legumes e verduras e frutas..e tá muito bom.
Mas no caminho topei com o Bambuíra, e ele me conta, feliz, que foi com sua turma da escola (Bambuíra, durante o dia, é professor Gilson, de Geografia) para a mata fotografar sacis.


Vim morar na cidade certa, pensei comigo mesma.
Contou a estória de um amigo que, em São Luiz do Paraitinga, fundou a ONG Sousaci, que esta promovendo uma campanha para Mascote da copa de 2014. SACI-Mascote é a idéia.
Tem site com abaixo-assinado, e lei que dá ao nosso Saci um dia de comemoração:

"GOVERNO DO ESTADO DE SÃO PAULO

Lei nº 11.669, de 13 de janeiro de 2004

Projeto de lei nº 1128/2003, do deputado Afonso Lobato - PV

Institui o "Dia do Saci"

O GOVERNADOR DO ESTADO DE SÃO PAULO:

Faço saber que a Assembléia Legislativa decreta e eu promulgo a seguinte lei:

Artigo 1º - Fica Instituído o "Dia do Saci", a ser comemorado, anualmente, no dia 31 de outubro.

Artigo 2º - Esta lei entra em vigor na data de sua publicação.
Palácio dos Bandeirantes, aos 13 de janeiro de 2004.
Geraldo Alckmin

Cláudia Maria Costin - Secretária da Cultura
Arnaldo Madeira Secretário - Chefe da Casa Civil
Publicada na Assessoria Técnico-Legislativa, aos 13 de janeiro de 2004".

E o Prof. Gilson garante que as fotos não desmentem o que ele já sabia: que saci existe.

Me prometeu as fotos, assim que ficassem prontas.. este dia já se perdeu no tempo.

As fotos eu nunca vi.
Mas quer saber de uma coisa? Por que raios eu preciso de fotos, se seu já sei que Saci existe??

quarta-feira, 24 de novembro de 2010

Crianças peludas


Não há nem deve haver explicação para este cartaz. As imagens falam por si.
Crianças, peludas ou não, não deveriam ser abandonadas.
Humanos, bons ou não, não deveriam ter esta liberdade de dispor de outros seres, humanos ou não.
Pessoas de mau coração, de má índole, cretinos e idiotas, monstros, descuidados e sem o mínimo de consideração não deveriam criar nada. Não são capazes disso.
A criação, seja ela de uma flor ou de um animal, é para os dadivosos, para seres especiais, com ligação no divino.
Criar algo ou alguém é um ato de amor, de doação de vida e carinho, de sustento físico e espiritual.
Conviver com animais é um prazer que deveria ser reservado naturalmente pela Mãe Divina. Apenas os de energia verde poderiam se aproximar e cuidar de animais.
Mas a Mãe é Divina.
Deixa que o solbrilhe sobre todos.
Deixa que a vida prolifere no bem ou no mal.
Deixa que os seres humanos passeem sobre sua superfície como reis.
Mas a Mãe também cuida. Só que a velocidade dela é dferente da nossa. Mas funciona melhor do que a nossa.
E é com isso que eu, milhares de pessoas como eu e todos os animais, extintos ou em extinção, contamos. Nós confiamos na Vida, na Justiça e na força do Bem.
Malditos seres humanos que abandonam e ferem crianças, peludas ou não..
Malditos seres humanos que não respeitam nem dão valor à vida.
No inferno, a única criatura que voces verão será um animal...e será pelas patas dele que voces sairão do inferno..ouviu?? Pela bondade de um dos animais que vcs abanonaram.
Terão que pedir um favor a um animal.
e eu vou querer tirar uma foto.

terça-feira, 23 de novembro de 2010

Depressão verde II - a Romântica e um dia de cada vez

Quando se está com depressão o mundo parece que pára. Não gira mais comigo dentro. As coisas acontecem do lado de fora, sem que o deprimido se dê conta.

Mas gente deprimida também sente. E sente muito fortemente. Pelo menos comigo é assim...É um sentir diferente do "normal". Eu sei que amo, mas não sei onde ou como acessar esta parte do sentimento. Eu sei que eu gosto daquilo, desta comida, daquela roupa..de determinado gesto... mas no momento em que a depressão toma conta, é como se tudo isso se escondesse em alguma parte de meu ser que eu não sei onde fica. E como foi que eu quebrei esta ponte?? esta conexão com meus sentimentos??
E como saber quando eles voltarem?? Como saber se, no meio desta nuvem negra, meus sentimentos não foram se modificando, e agora eu não sinto mais como sentia antes?
Como eu vou saber se ainda amo, ou se ainda não amo isso ou aquilo??
Como saber que a depressão foi embora e o que eu estou sentindo é mesmo a falta ou o excesso de um sentimento?? Amor ou outra coisa??
Como saber se quem esta sentindo é realmente eu ou algo transmutado pela dor? pelo não sentir??
Aí a mente pode ajudar, ou atrapalhar.
Porque mentalmente posso dizer para quem quer que seja, que eu amo fulano por isso e aquilo, e que eu não gosto de siclano por este ou aquele motivo. E serei capaz de jurar que tudo é real e verdadeiro.
Posso dizer, agorica mesmo, se amo você ou não, mentalmente, isso é, com todos os raciocínios que me diferenciam dos macacos, sabe aqueles 2% que fazem toda a diferença??
Mas tem uma coisa que a depressão não tira: minha capacidade de pensar.
Então, eu penso assim: eu estou com determinado problema...então vamos ver quem pode me ajudar? como podem me ajudar? quem não está ajudando? De quem eu espero ajuda, e de quem eu não espero nada?
Fico impotente quando vejo pessoas que eu amava antes disso, não faz muito tempo, que não me ajudam em nada.
No silêncio que cobra uma atitude "normal" de quem não pode viver normalmente. No momento que não há uma ressonância no outro ser, quando não retorna nada do outro lado, eu penso na minha importância para estas pessoas, ou na importância que eu dei a elas.
Sabe aquela frase que diz que é na adversidade que se conhece um amigo?
Mesmo com depressão, minha capacidade de pensar ainda está lá..e eu penso nisso. No amor que um dia foi tão vital, tão importante como o ar que eu respirava, e na dor do silêncio que se fez depois. É como se eu não fizesse parte da vida destas pessoas, como se eu nunca tivesse sido importante ou vital para elas.
Querer demais?? Fantasias minhas que caem por terra, por causa da depressão??
Então foi isso?? Inventei tudo?? Senti á mais o que não era tão grande?? me deixei levar por sonhos de menina?? Numa hora de problemas, de fraquezas, é mais ou menos isso o que as pessoas fazem...se enganam para não sofrerem mais.
Mas não adianta. Não sabem elas que acabam sofrendo ainda mais??
Acabei caindo nesta armadilha?? amar sem ser amada..querer ardentemente sem recíproca??
Pode ser amor realmente?? O que é engano: o amor que eu sentia ou o amor que eu achava que recebia??
Pode a depressão me afastar assim do meu coração?? Foi ela quem me fez enganar?? Meu romantismo??
Putz..eu não sei.
Só sei que aquele que amei não está do meu lado.
Descubro que eu tenho que me amar.
Descubro que eu tenho que me querer bem.
Faz tempo que não pinto meus cabelos de vermelho.
Faz tempo que não passo lápis nos meus olhos.
Faz tempo que não sinto prazer.
Faz tempo que eu não sentia tanta vontade de estar comigo mesma.
...e aquele que amei (amo...) .. bem... não é justo cobrar nada.
Cada um faz seu melhor.
Certamente ele também faz o melhor que pode.
No silêncio dele, eu ouço meu próprio respirar.
Dói.
Mas não saber da verdade me dói mais.
Por isso a resposta deve estar em mim mesma.
Se nada pode quebrar o silêncio dele, então não há nada que eu possa fazer.
Viver meu momento, minhas dores, meus dramas, minha depressão..um dia de cada vez.
Romântica?? sou sim..descobri..e faz parte do tratamento muito colo, muito carinho, bons tratos, risos e trocas de amor.
Um dia de cada vez?? Claro, mas sorvido aos goles, aproveitado, desde o momento que durmo ate o momento que durmo..24h por dia, 365 dias por ano.
É assim que eu quero..e é assim que vai ser.